Santa Catarina registra cerca de 32 mil vagas abertas na indústria, e a pressão por trabalhadores qualificados já é sentida diretamente pelas multinacionais instaladas no estado. Empresas dos setores metalomecânico, têxtil, alimentício, de tecnologia e logística competem entre si por profissionais num mercado em que a oferta não acompanha o ritmo da demanda produtiva. O desequilíbrio expõe um gargalo estrutural com consequências concretas: plantas que operam abaixo da capacidade, atrasos em exportações e perda de competitividade frente a rivais internacionais.
Exportador relevante sob pressão
SC é um dos maiores exportadores industriais do Brasil. Carnes processadas, máquinas, equipamentos e têxteis figuram entre os principais produtos embarcados pelo estado, o que torna qualquer dificuldade no abastecimento de mão de obra um dado sensível para o desempenho da balança comercial local. Quando uma fábrica não consegue preencher turnos, o reflexo aparece primeiro na produção e, em seguida, nos volumes exportados.
A disputa entre multinacionais por trabalhadores não é apenas sinal de crescimento. É também evidência de que a base industrial catarinense cresceu mais rápido do que a formação de profissionais para sustentá-la. Empresas que competem por contratos de exportação precisam de previsibilidade na cadeia produtiva, e vagas ociosas comprometem essa previsibilidade.
Qualificação como variável crítica
O SENAI/SC está no centro das expectativas do setor. A entidade é apontada como peça-chave na formação de trabalhadores para atender à demanda das indústrias em expansão, mas a velocidade de qualificação ainda não absorve o volume de vagas em aberto. As 32 mil posições identificadas no estado representam um passivo de capital humano que afeta diretamente a capacidade de as empresas honrarem contratos e metas de produção.
Multinacionais, por sua vez, respondem ao cenário com pacotes de benefícios mais competitivos e programas próprios de treinamento, numa tentativa de reter quem já está dentro de casa enquanto contratam novos profissionais no mercado externo. Essa estratégia eleva custos operacionais e pode pressionar margens já apertadas pelo câmbio e pelos preços de insumos.
O IBGE registrou em 2024 que Santa Catarina figura entre os cinco estados com menor taxa de desemprego no Brasil, o que, combinado com o aquecimento industrial, reduz ainda mais o número de trabalhadores disponíveis no mercado formal. O estado encerrou o terceiro trimestre de 2024 com taxa de desocupação de 3,5%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua.

