O direcionamento de R$ 643,3 bilhões em financiamentos até 2025 para a indústria nacional, via Nova Indústria Brasil (NIB), alterou a dinâmica do setor ao priorizar inovação, geração de empregos e eficiência produtiva. Esse volume de recursos, reunidos pelo Plano Mais Produção, já beneficiou 406 mil projetos em todas as regiões e materializa uma resposta direta a um problema crônico: o envelhecimento produtivo, a falta de conexão entre ciência e indústria e a baixa complexidade tecnológica nos produtos brasileiros.
O desafio que motivou a nova política industrial vinha de um quadro recorrente de máquinas defasadas, baixa produtividade e fuga de valor em setores-chave, dificultando a permanência do Brasil em cadeias globais relevantes. Grandes investimentos públicos e incentivos fiscais tradicionais não estavam resultando em salto tecnológico ou competitividade internacional, e a dependência de produtos importados afetava oportunidades de trabalho e renda.
Diante desse cenário, a decisão de engenharia foi aplicar recursos estratégicos para modernização, inovação produtiva e transição verde, por meio de linhas específicas como o Mais Inovação, o Crédito Indústria 4.0 e a depreciação acelerada de ativos. Assim, o governo optou por transformar o estímulo setorial em vetores mensuráveis de ganhos produtivos, ligando o conhecimento gerado em universidades e ICTs diretamente à indústria.
A operacionalização dos programas da NIB resultou em R$ 108 bilhões contratados pelo Mais Inovação — dos quais R$ 60 bilhões já desembolsados —, e o Crédito Indústria 4.0 envolveu mais R$ 12 bilhões na substituição e modernização de máquinas. O Brasil + Produtivo impactou 67,5 mil pequenas e médias empresas em apenas dois anos, promovendo aumento médio de 28% na produtividade e melhoria de 19% na eficiência energética. As iniciativas fortaleceram setores industriais, comerciais e de serviços e evidenciaram a necessidade de atualização constante para manter competitividade internacional.
Esse modelo, contudo, impôs trade-offs. Os critérios de distribuição dos recursos priorizam setores estratégicos e podem gerar ritmos desiguais de modernização. Novos equipamentos requerem investimento inicial alto e qualificação técnica dos trabalhadores. O foco em cadeias produtivas de tecnologia resultou em benefícios urbanos e regionais, mas a disseminação desses avanços para nichos industriais pequenos ainda enfrenta restrições logísticas e de capacitação.
Com a introdução do modelo de depreciação acelerada em 2024, voltado para a renovação da infraestrutura produtiva, as empresas puderam descontar rapidamente, em apenas dois anos, o valor investido em ativos no Imposto de Renda e na Contribuição Social. Tradicionalmente, esse processo levava cerca de dez anos; com a medida, R$ 1,7 bilhão públicos alavancaram R$ 4,7 bilhões em novos investimentos privados distribuídos em 24 segmentos industriais.
A solução diminuiu custos, agilizou o ciclo de inovação e multiplicou o efeito dos recursos públicos, promovendo ganho de escala em aquisição de ativos. Por outro lado, exige gestão fiscal criteriosa para assegurar que as vantagens não resultem em descompasso orçamentário, além de altos padrões de compliance para controlar a destinação dos benefícios.
A retomada de investimentos industriais também atingiu o setor automotivo por meio do Programa Mover, responsável pela mobilização de R$ 3,8 bilhões em créditos diretos em 2025 com previsão de R$ 3,9 bilhões para 2026. O resultado foi a atração de R$ 190 bilhões em aportes privados ao longo da cadeia automotiva, integrando produção de veículos, autopeças e desenvolvimento de tecnologias de baixa emissão.
Fábricas como a Great Wall Motor (GWM) em Iracemápolis e a BYD Brasil em Camaçari consolidaram o Brasil como polo estratégico latino-americano para híbridos e elétricos. Tais movimentos geraram empregos, dinamizaram o desenvolvimento regional e aumentaram a exposição do país nas cadeias globais. O Programa Carro Sustentável flexibilizou o acesso ao veículo nacional, zerando o IPI de modelos flex com baixo CO₂ e alta reciclabilidade, com crescimento de 51% nas vendas desde julho quando comparado ao ano anterior.
No mercado externo, o Brasil alcançou explosivo volume de US$ 349 bilhões em exportações e uma corrente de comércio de US$ 629,1 bilhões, reconfigurando o patamar histórico da balança comercial. A negociação de acordos Mercosul–Singapura e Mercosul–EFTA ampliou o acesso a mercados e protegeu produtos nacionais, especialmente industriais, contra flutuações tarifárias e geopolíticas.
A simplificação do ambiente de negócios, projetada com a futura Janela Única de Investimento em parceria com o BID, reduziu burocracias e atraiu US$ 84 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto de janeiro a novembro de 2025, colocando o país entre os dois maiores receptores globais nesse segmento. Essa trajetória demonstra que a combinação entre estímulos internos e melhoria do acesso global fortalece a posição do Brasil como hub industrial, científico e exportador de referência na América Latina e além.

