Setor supermercadista brasileiro atinge R$ 1 trilhão em faturamento e Santa Catarina concentra dois dos maiores grupos varejistas do país

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O varejo alimentar brasileiro fechou o ciclo mais recente com faturamento de R$ 1 trilhão, e Santa Catarina ocupa uma posição fora do comum nesse mercado: dois dos maiores grupos supermercadistas do país têm sede no estado. O Grupo Angeloni e o Grupo Giassi competem em escala nacional e regional ao mesmo tempo, pressionando fornecedores industriais em preço, inovação e logística.

O Angeloni foi fundado em 1958 em Criciúma e hoje opera a partir de Florianópolis, com dezenas de lojas nos três estados do Sul. O Giassi nasceu em Santa Rosa do Sul e expandiu presença no litoral e no sul catarinense, disputando espaço com redes nacionais e multinacionais. Os dois grupos cresceram a partir de mercados regionais específicos, mas hoje movimentam cadeias de fornecimento que envolvem fabricantes de alimentos processados, bebidas, embalagens e insumos em escala industrial.

O que a concentração em SC significa para a indústria

Para fabricantes de alimentos e bebidas, ter dois grandes compradores sediados em Santa Catarina não é apenas uma questão geográfica. Esses grupos definem volumes de compra, prazos de pagamento, exigências de rotulagem e padrões de embalagem que afetam diretamente as decisões de produção de seus fornecedores. Quando uma rede do porte do Angeloni ou do Giassi muda critérios de fornecimento, fábricas ajustam linhas de produção.

O estado já concentra operações de empresas como BRF e Aurora Alimentos, duas das maiores processadoras de proteína animal do Brasil. A presença simultânea de grandes indústrias e grandes varejistas no mesmo território cria um ecossistema com poder de barganha dos dois lados, o que pressiona toda a cadeia por eficiência. Fornecedores menores, regionais ou nacionais, precisam se adaptar às exigências desse ambiente para manter espaço nas gôndolas.

Varejo de alimentos como termômetro da indústria

A marca de R$ 1 trilhão em faturamento do setor supermercadista brasileiro reflete a resiliência do consumo de alimentos mesmo em ciclos de inflação alta e renda comprimida. O canal supermercadista absorve a maior parte da produção da indústria alimentícia nacional e funciona como indicador antecipado de tendências: o que entra nas gôndolas hoje sinaliza o que os fabricantes priorizaram nos últimos 12 a 18 meses em desenvolvimento de produto.

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) acompanha esse desempenho anualmente e o setor tem mantido crescimento consistente em faturamento nominal, ainda que volumes físicos variem conforme o poder de compra das famílias. Em 2023, o setor supermercadista representou cerca de 5,4% do PIB brasileiro, segundo dados da entidade.

Marcelo Costa
Marcelo Costahttps://galpaodasmaquinas.com.br
Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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