Um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro suspendeu a homologação da proposta de aquisição da participação da Oi S.A. na V.tal, avaliada em R$ 4,5 bilhões. A decisão, proferida em junho de 2026, interrompe mais uma tentativa da operadora de monetizar ativos para honrar compromissos com credores, dez anos após protagonizar o maior pedido de recuperação judicial da história do Brasil, com dívidas que ultrapassavam R$ 65 bilhões em 2016.
O que está em jogo na V.tal
A V.tal, antiga Rede Nacional de Fibra Óptica, opera como infraestrutura de atacado neutra e atende diversas operadoras do setor de telecomunicações. A malha foi constituída pela própria Oi e representa um dos ativos mais valiosos que a companhia ainda detém. A fatia à venda é central para o plano de desinvestimento da operadora, que depende dessas receitas para cumprir obrigações previstas no processo de reestruturação patrimonial.
A suspensão judicial coloca em dúvida o calendário de liquidação desse ativo. Sem a homologação, a proposta de R$ 4,5 bilhões permanece em limbo jurídico, o que gera incerteza direta para o comprador interessado e, de forma mais ampla, para toda a cadeia de fornecedores de equipamentos e empresas que dependem da estabilidade acionária da V.tal para planejar contratos e expansões de rede.
Recuperação judicial que não tem fim simples
O caso da Oi ilustra um padrão recorrente em recuperações judiciais de empresas de grande porte no Brasil: o processo raramente segue um ritmo linear. Disputas entre credores, questionamentos de acionistas minoritários e decisões judiciais em instâncias diferentes se acumulam ao longo dos anos, prolongando a incerteza para investidores e parceiros comerciais.
Desde 2016, a Oi já passou por múltiplas revisões de seu plano de recuperação, vendeu operações para concorrentes como TIM, Claro e Vivo, e ainda não concluiu a saída de todos os segmentos em que atuava. A tentativa de vender a fatia na V.tal era considerada um dos últimos passos relevantes desse processo. A nova suspensão judicial indica que esse desfecho ainda pode levar tempo.
Para o mercado de banda larga, o impasse tem consequências práticas. A V.tal é peça central na oferta de infraestrutura de fibra óptica no atacado, e qualquer instabilidade no controle acionário da empresa pode frear decisões de investimento em expansão de rede, especialmente em regiões menos atendidas, onde a dependência de um único fornecedor de infraestrutura é maior. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não divulgou prazo para reavaliação da decisão.

