Anne Marie Werninghaus, apontada como a maior herdeira do grupo WEG, inaugurou em maio de 2026 uma loja de grife de alto padrão no Casarão Emmendörfer, imóvel tombado como patrimônio histórico de Jaraguá do Sul, Santa Catarina. O movimento marca a entrada de uma das famílias mais ricas do país no segmento de moda premium, em uma cidade cuja identidade é construída sobre décadas de indústria eletromecânica e imigração alemã.
A WEG foi fundada em 1961 justamente em Jaraguá do Sul, por Werner Ricardo Voigt, Eggon João da Silva e Geraldo Werninghaus. As iniciais dos fundadores formam o nome da empresa, que hoje fatura mais de R$ 30 bilhões por ano e opera unidades industriais em mais de 40 países. A família Werninghaus, portanto, não parte do zero: chega ao varejo de luxo com capital consolidado e reputação empresarial de décadas.
A escolha do Casarão Emmendörfer como sede da loja carrega uma estratégia clara de posicionamento. O imóvel é referência arquitetônica da cidade e reúne, num só endereço, a estética da colonização alemã e o apelo que marcas de luxo buscam ao se instalar em espaços com história. É uma leitura comum no varejo premium europeu e que começa a se consolidar em algumas cidades brasileiras fora do eixo Rio-São Paulo.
Santa Catarina reforça presença no mapa da moda nacional
O estado já ocupa posição consolidada na indústria têxtil e de confecção brasileira. Blumenau, Brusque e Gaspar formam um dos maiores polos do setor no país, com produção em escala e cadeia produtiva verticalizada. A iniciativa da herdeira da WEG adiciona uma camada diferente a esse ecossistema: o capital industrial migrando para marcas com apelo cultural e consumidor de alta renda.
Esse movimento não é isolado. Nos últimos anos, herdeiros e empresários ligados à indústria tradicional brasileira passaram a investir em marcas próprias de moda, impulsionados pelo crescimento do consumo de luxo no Brasil. Segundo a consultoria Bain & Company, o mercado de artigos de luxo pessoal no Brasil cresceu cerca de 20% em 2023, sustentado por uma base de consumidores de alta renda resistente à instabilidade econômica.
A diferença, no caso de Jaraguá do Sul, é a escala simbólica da operação. Uma herdeira da WEG abrindo uma grife na cidade onde a família construiu sua fortuna tem um peso local que vai além do negócio em si. Atrai atenção da imprensa, reposiciona a cidade no imaginário da moda nacional e pode funcionar como catalisador para outras iniciativas semelhantes na região.
Santa Catarina exportou R$ 2,4 bilhões em produtos têxteis e de vestuário em 2023, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o que coloca o estado como segundo maior exportador do setor no Brasil, atrás apenas de São Paulo.

