O fim da jornada 6×1 pode elevar os custos do varejo de Campinas em até R$ 416 milhões e exigir a contratação de aproximadamente 10 mil novos trabalhadores só para manter o funcionamento atual do comércio local. Os dados são de um levantamento divulgado no contexto do debate sobre a PEC que busca extinguir o modelo de seis dias de trabalho por um de folga, proposta encampada pela deputada federal Erika Hilton e que segue em discussão no Congresso ao longo de 2025 e 2026.
O peso sobre um único município
Campinas é um dos principais polos econômicos do interior paulista, com forte presença industrial, logística e de serviços. O fato de o impacto estimado de R$ 416 milhões se referir exclusivamente ao varejo de uma única cidade dá dimensão do que uma mudança legislativa desse porte representaria para o país inteiro. Extrapolado para o universo comercial e industrial nacional, o custo agregado poderia alcançar dezenas de bilhões de reais, segundo a lógica do próprio levantamento.
A Associação Comercial e Industrial de Campinas e a FecomercioSP estão entre as entidades que argumentam que a transição para jornada reduzida, sem planejamento e sem contrapartidas fiscais, compromete a competitividade das empresas brasileiras. O setor industrial compartilha modelos de escala similares ao 6×1 em fábricas, centros de distribuição e unidades operacionais, o que tornaria uma mudança obrigatória de jornada uma revisão completa de turnos e folhas de pagamento em toda a cadeia produtiva.
Indústria na linha de impacto direto
Para além do varejo, manufatura e logística operam em regimes de turno que dependem estruturalmente da escala 6×1. Uma alteração legislativa forçaria a recomposição dos quadros de pessoal em plantas industriais e centros de distribuição, com pressão direta sobre os custos operacionais. Empresas de médio porte, com menor capacidade de absorver aumentos na folha, seriam as mais vulneráveis a esse ajuste.
O número de 10 mil contratações necessárias apenas em Campinas reflete a dificuldade de redistribuir carga horária sem aumentar o contingente de pessoal. Em cidades industriais de maior porte, como São Paulo, Santo André e Sorocaba, a demanda por novos trabalhadores para cobrir turnos seria proporcionalmente maior, elevando o custo total de adequação para o setor produtivo paulista.
A PEC ainda tramita no Congresso sem data definida para votação. A ACIC e a FecomercioSP seguem pressionando por um período de transição e por medidas compensatórias que permitam às empresas absorver os novos custos sem demissões em massa ou redução de operações.

