Em um cenário onde a eficiência logística determina competitividade no mercado global, a fábrica de celulose da Suzano, em Mato Grosso do Sul, atingiu o embarque de 5,8 milhões de toneladas pelo Porto de Santos ao longo de 2025. Na prática, o volume superou em 41% o registrado em 2024, representando um avanço expressivo no escoamento industrial da principal cadeia exportadora do Estado. O crescimento exponencial responde à necessidade de otimizar o transporte frente ao aumento da produção e à pressão internacional por regularidade e escala.
Até 2024, o sistema portuário do Porto de Santos impunha limitações técnicas ao volume de celulose embarcado. Com capacidade anual de apenas 4,6 milhões de toneladas, surgiam gargalos que travavam o fluxo logístico, encarecendo frete e elevando riscos de atrasos. Como resposta direta, a Suzano direcionou investimentos robustos na infraestrutura dos terminais T32 e DPW, além do modal ferroviário, visando ampliação e modernização do complexo.O resultado das intervenções é a elevação da capacidade média de movimentação nos terminais portuários para 6,6 milhões de toneladas anuais de celulose – um aumento de 43,48% sobre o patamar anterior. Em dezembro de 2025, foi estabelecido um novo recorde mensal de 481 mil toneladas embarcadas, evidenciando a efetividade da modernização funcional. Paralelamente, a capacidade estática dos terminais saltou 42%, alcançando cerca de 230 mil toneladas armazenadas simultaneamente, ante as 162 mil toneladas anteriores.Ao ampliar o modal ferroviário, a Suzano reduziu o tempo de circulação e o custo operacional no trajeto entre as plantas industriais – localizadas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo – e o Porto de Santos. Este percurso tornou-se mais eficiente, alinhando-se ao desafio de escoar anualmente 9,9 milhões de toneladas produzidas no Estado, das quais a companhia responde por 58,8%. Ferrovias integradas diminuem o volume de caminhões em circulação, otimizam o consumo de combustível e sustentam uma cadeia de produção contínua, sem acúmulos nem interrupções.O avanço tecnológico nos terminais portuários e ferroviários impôs custos de implementação significativos, demandando ajustes operacionais e investimentos em novos equipamentos de carga. Em contrapartida, a consolidação desta infraestrutura resultou em redução das emissões de gases pelo uso intensivo de ferrovias e menores riscos de interrupção logística. No curto prazo, desafios permanecem quanto à manutenção do índice de crescimento sem sobrecarregar a rota ferroviária, além da necessidade de atualização regular dos sistemas de monitoramento.A reconfiguração estrutural logística não só elevou a celulose ao topo da pauta exportadora de Mato Grosso do Sul, com US$ 2,848 bilhões em vendas em 2025, como também consolidou sua posição frente à soja e carne bovina. A China segue como principal destino, absorvendo parcela crítica da produção. No longo prazo, a operação endossa um novo padrão industrial no setor, marcando um movimento estratégico de adaptação para sustentar aumentos de produção, menor impacto ambiental e maior resiliência frente às oscilações do comércio mundial.

