A Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou custos logísticos elevados e juros altos como os principais obstáculos à competitividade das exportações industriais brasileiras, segundo relatório divulgado em dezembro de 2025. O diagnóstico chega num ano em que tarifas norte-americanas de até 50% sobre manufaturados do país já pressionaram margens e forçaram o setor a buscar novos mercados.
Juros e crédito encarecem a produção voltada ao exterior
A taxa Selic em patamares elevados ao longo de 2025 aumentou o custo do crédito para produção e capital de giro, penalizando especialmente as indústrias exportadoras, que financiam ciclos longos antes de receber divisas do exterior. O problema é estrutural: quanto mais tempo a empresa leva para fechar o ciclo exportador, maior o custo financeiro acumulado, corroendo a margem que o câmbio desvalorizado poderia garantir.
A CNI reúne mais de 1.200 sindicatos patronais e representa um setor que responde por cerca de 20% do PIB nacional. O peso da entidade torna o relatório uma referência para as negociações do setor com o governo federal e o Banco Central ao longo de 2026, especialmente em torno da política monetária e de linhas de crédito específicas para exportadores.
Infraestrutura precária amplifica o “custo Brasil” para quem exporta
No campo logístico, décadas de subinvestimento em rodovias, ferrovias e portos fazem com que o chamado “custo Brasil” consuma boa parte da vantagem competitiva que a taxa de câmbio oferece ao exportador. O resultado é que empresas chegam ao mercado externo com preços menos atrativos do que poderiam, mesmo quando o real está desvalorizado frente ao dólar.
O cenário ficou mais adverso em 2025 com o “tarifaço” do governo Trump, que aplicou tarifas de até 50% sobre manufaturados brasileiros destinados aos Estados Unidos. Com o mercado norte-americano parcialmente fechado, a indústria exportadora precisou redirecionar fluxos para destinos alternativos, operação que eleva custos de frete e exige adequações de produto, tornando ainda mais visível o peso da infraestrutura deficiente sobre a rentabilidade das exportações.

