O governo federal deve aprovar nesta quarta-feira, 24 de junho, o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina comum de 30% para 32%. O anúncio foi feito pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A mudança é de dois pontos percentuais, mas o volume que representa é expressivo: estima-se que cada ponto percentual de aumento na mistura corresponda a 1,3 bilhão de litros adicionais de etanol consumidos por ano no mercado doméstico, o que torna a alteração equivalente a uma demanda extra de 2,6 bilhões de litros anuais.
Impacto direto sobre o setor sucroenergético
O Brasil é o segundo maior produtor e consumidor mundial de etanol, com uma frota superior a 40 milhões de veículos flex-fuel em circulação. Para usinas de cana-de-açúcar e produtores de etanol concentrados em São Paulo, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, a elevação do percentual obrigatório representa um aumento estrutural de demanda interna garantida, com potencial de movimentar bilhões de reais adicionais em receita para o complexo sucroenergético.
A medida também alcança outros elos da cadeia. A indústria de distribuição de combustíveis, as refinarias da Petrobras e fornecedores de equipamentos e insumos agrícolas ligados à cultura da cana precisarão ajustar operações logísticas e de mistura para absorver o novo percentual.
RenovaBio e política de descarbonização
A decisão está inserida no RenovaBio, programa criado em 2017 que estabelece metas de descarbonização para o setor de combustíveis e incentiva o consumo de fontes renováveis para reduzir emissões de gases de efeito estufa na matriz energética do transporte. O aumento da mistura obrigatória é um dos instrumentos mais diretos dessa política, por criar demanda compulsória sem depender de subsídios ou incentivos fiscais explícitos.
Do ponto de vista do consumidor, a mudança tende a pressionar levemente o preço da gasolina ao longo do tempo. O custo de produção do etanol é variável e atrelado à safra da cana, o que significa que anos de quebra de produção podem amplificar o efeito sobre o preço final nos postos. Analistas do setor energético acompanham esse risco com atenção, especialmente em ciclos de estiagem que afetam as regiões produtoras.
A última alteração no percentual obrigatório havia ocorrido em 2015, quando a mistura passou de 27% para 27,5%, e posteriormente para 30% em 2022. A aprovação prevista para esta quarta-feira elevaria o índice ao maior patamar da história do programa de mistura obrigatória no país.

