Levantamento da Meta divulgado em 20 de junho de 2026 aponta que 64% dos consumidores brasileiros já realizaram ao menos uma compra diretamente pelo WhatsApp, movimento que remodela a jornada de compra no setor de eletroeletrônicos, segmento em que comparar especificações técnicas, negociar preço e tirar dúvidas são etapas que cabem naturalmente numa conversa por mensagem. A pesquisa consolida o chamado comércio conversacional como tendência central do varejo nacional, com o aplicativo de mensagens superando ligações, e-mails e até sites de e-commerce tradicionais como canal de preferência.
Por que eletroeletrônicos lideram essa transição
Smartphones, wearables e eletrodomésticos conectados são categorias de ticket médio que exigem do consumidor uma jornada mais longa antes da decisão de compra. Esse perfil se encaixa no modelo conversacional: o cliente quer saber se o aparelho tem determinada função, se cabe no orçamento, quando chega. Tudo isso resolve em poucos minutos por chat, sem sair do aplicativo. Não por acaso, varejistas como Magalu e Americanas e fabricantes como Samsung Brasil intensificaram os investimentos em automação com chatbots integrados ao WhatsApp Business API, incluindo catálogos digitais, fluxo de pagamento via Pix e notificações de entrega dentro do próprio aplicativo.
O tamanho do mercado brasileiro ajuda a explicar a velocidade da mudança. O país tem cerca de 147 milhões de usuários ativos no WhatsApp, um dos maiores volumes do mundo. Com 64% desses usuários já comprando pelo app, o potencial de escala para o setor eletroeletrônico é direto: quem não estiver presente no canal perde espaço para quem já está.
O que muda para fabricantes e distribuidores
A migração do ponto de contato das plataformas abertas de busca para ambientes fechados de mensageria cria um problema operacional concreto para a indústria. Anunciar no Google ou no Mercado Livre segue uma lógica conhecida. Operar dentro do WhatsApp exige integração entre sistemas ERP e plataformas de CRM conversacional, formatos novos de anúncio e equipes treinadas para converter dentro de um ecossistema com regras próprias.
Varejistas regionais de eletrônicos enfrentam esse desafio com menos estrutura do que as grandes redes. A adaptação exige investimento em tecnologia e requalificação das equipes comerciais, um custo que não é trivial para operações menores. Por outro lado, o WhatsApp reduz a dependência de marketplaces e suas comissões, o que abre margem para quem conseguir operar o canal com eficiência.
A pesquisa da Meta não detalha o volume financeiro movimentado por esse canal no Brasil, mas o dado de penetração, 64% dos consumidores, já é suficiente para que fabricantes e distribuidores incluam o comércio conversacional nos planos comerciais para o segundo semestre de 2026.

