A Estrela S.A., fabricante de brinquedos fundada em 1937 em São Paulo, protocolou pedido de recuperação judicial em 20 de maio de 2026. A empresa, conhecida por produtos como Júlia, Lança Perfume e jogos de tabuleiro que atravessaram gerações, enfrenta uma crise financeira agravada pela concorrência de importados asiáticos e pelos custos estruturais da produção industrial no Brasil.
Pressão das importações e colapso das margens
O setor de brinquedos nacional vem perdendo espaço de forma acelerada para produtos chineses com preços muito abaixo dos praticados pela indústria local. A diferença de custo inviabilizou linhas de produção inteiras no Brasil, comprimindo margens e reduzindo a capacidade das empresas de investir e se renovar. A Estrela não é um caso isolado, mas é o mais simbólico: nenhuma outra fabricante do setor carrega um histórico comparável de quase nove décadas de operação contínua no país.
A carga tributária elevada e a política cambial também figuram entre os fatores que fragilizaram a posição competitiva da empresa. A CNI e entidades setoriais têm alertado há anos para a ausência de proteção tarifária eficaz contra importações subsidiadas, tema que voltará ao debate público com o caso Estrela em evidência.
O que a recuperação judicial permite
Com base na Lei 11.101/2005, o pedido de recuperação judicial abre um prazo inicial de 180 dias para que a Estrela renegocie dívidas e reorganize suas operações sem a ameaça imediata de falência. Durante esse período, credores ficam impedidos de executar cobranças judiciais, o que dá à empresa margem para apresentar um plano de reestruturação viável.
Processos desse tipo frequentemente resultam em redução do quadro de funcionários e revisão de contratos com fornecedores. A Estrela ainda não divulgou detalhes sobre eventuais cortes de pessoal ou fechamento de unidades, mas a reestruturação do quadro de pessoal é uma das consequências mais comuns nesses casos.
Trabalhadores e cadeia produtiva em risco
A crise atinge não apenas os empregados diretos da companhia, mas também fornecedores e prestadores de serviço vinculados à cadeia produtiva. A extensão desse impacto depende do plano que a empresa apresentará ao juízo responsável pelo processo, bem como da disposição dos credores em aceitar as condições de renegociação propostas.
Fundada há 89 anos, a Estrela chegou a ser referência de inovação e qualidade no mercado brasileiro de brinquedos. Em 2026, enfrenta o mesmo dilema que já levou dezenas de fabricantes nacionais ao encerramento das atividades: competir com produtos importados cujo custo de produção e logística o Brasil não consegue replicar dentro de sua estrutura tributária atual. O pedido foi protocolado em 20 de maio de 2026.

