A Ferroli, multinacional italiana com mais de 60 anos no setor de aquecimento e refrigeração, apresentou em maio de 2026 uma nova linha de bombas de calor monobloco do tipo ar-água usando propano (R290) como fluido refrigerante. O lançamento, divulgado pelo portal pv magazine International, atende simultaneamente ao segmento residencial e ao comercial de pequeno e médio porte, e chega em momento em que a União Europeia aperta as regras sobre fluidos com alto potencial de aquecimento global.
Por que o propano muda o jogo
O R290 tem GWP igual a 3, número que contrasta com os 2.088 do R410A e os 675 do R32, refrigerantes sintéticos que ainda dominam boa parte do parque instalado global. Essa diferença deixou de ser apenas argumento de marketing: o regulamento F-Gas revisado da União Europeia estabelece um calendário de eliminação progressiva dos fluidos com alto GWP, o que transforma a adoção do propano em exigência regulatória, não em escolha voluntária. Fabricantes que não antecipam essa transição perdem acesso ao mercado europeu.
O propano é classificado como fluido levemente inflamável (categoria A3), o que exige protocolos de segurança específicos durante instalação e manutenção. A Ferroli contornou parte dessa exigência ao adotar o formato monobloco, no qual compressor, evaporador, condensador e expansor ficam integrados em uma única unidade externa. Com isso, o instalador não precisa manusear o refrigerante em campo, reduzindo o risco e a necessidade de certificação específica para trabalho com fluidos inflamáveis.
Monobloco e o custo de instalação
A configuração monobloco também tem implicação direta no bolso do comprador. Sem a necessidade de uma unidade interna separada para abrigar componentes do ciclo frigorífico, a instalação fica mais simples e mais barata em mão de obra. Para o segmento comercial de pequeno porte, onde a relação custo-benefício é determinante na decisão de compra, esse fator pesa tanto quanto a eficiência do equipamento.
A Ferroli tem presença em mais de 100 países e unidades produtivas na Itália, China, Índia e Turquia, o que garante capacidade de distribuição para escalar o novo produto rapidamente nos mercados onde a demanda regulatória já está consolidada.
Reflexos para o Brasil
O mercado brasileiro de bombas de calor ainda cresce em ritmo acelerado, puxado por demandas de eficiência energética em aquecimento de água, climatização industrial e processos térmicos. Até agora, a pressão regulatória europeia sobre refrigerantes não se traduziu em legislação equivalente no Brasil, mas distribuidores e fabricantes locais costumam seguir com defasagem de dois a cinco anos as tendências técnicas que se consolidam na Europa. O lançamento da Ferroli com R290 é mais um sinal nessa direção. O regulamento europeu F-Gas revisado prevê cortes de 95% no consumo de HFCs até 2050 em relação ao patamar de 2015.

