Operar com eficiência e reduzir custos logísticos tornou-se um desafio crescente para fabricantes de embalagens plásticas no Brasil, especialmente diante do predomínio de latas metálicas no setor de tintas e massas corridas. Até hoje, a unidade da Fibrasa na Serra concentrou sua produção em embalagens de pequeno porte. No entanto, o avanço dos baldes plásticos no cenário internacional e as mudanças de demanda no mercado nacional levaram à decisão de ampliar de forma significativa a planta existente.
O problema identificado era estrutural: cerca de 80% do mercado brasileiro de tintas utiliza latas metálicas, enquanto a maior parte do mundo opera com baldes plásticos, de menor pegada de carbono e custos potencialmente mais baixos. Para responder a esse descompasso, a Fibrasa aprovou um investimento superior a R$ 120 milhões, estruturado em duas fases.
A fase inicial, com R$ 90 milhões aportados, viabiliza a ampliação da unidade fabril no parque Civit I, integrando novas linhas de fabricação com foco nos baldes industriais destinados aos segmentos de tintas e alimentos. Esta etapa acelera o cronograma e irá entrar em operação já em abril de 2024. Como consequência direta, a capacidade instalada praticamente dobra, permitindo ampliar o fornecimento especialmente para o Sul e Sudeste do país.
Para viabilizar a operação, foram considerados fatores técnicos como localização estratégica próxima a mais de 60% do mercado consumidor brasileiro. A vantagem logística resultante, acrescida de incentivos fiscais estaduais, permitiu à Fibrasa optar pela expansão local, em vez de construir uma nova fábrica em Santa Catarina.
O investimento supera R$ 30 milhões para a segunda etapa, prevista para entrega em 2025. Nessa fase são instaladas novas linhas de produção, contratação de mais de 100 profissionais e inclusão de tecnologias para produção em larga escala de baldes plásticos industriais.
O efeito imediato é a formação de um novo arranjo industrial para o Espírito Santo. A alteração no portfólio, que passa a abranger embalagens de grande porte, aumenta a competitividade capixaba no setor e fortalece o vínculo com setores industriais como o de tintas, em que as embalagens representam até 50% dos custos finais.
Ao priorizar a expansão na Serra, a Fibrasa potencializa a infraestrutura já existente no parque industrial Civit I. O posicionamento geográfico favorecido pelo acesso rodoviário reduz custos de transporte, enquanto a proximidade a mercados centrais do Sudeste e Sul diminui prazos de entrega e desperdícios.
Em termos operacionais, a implantação de tecnologias modernas de moldagem e envase resulta em menor consumo de energia e materiais, com ganhos de eficiência produtiva. No entanto, a escolha implica investimentos pesados em atualização de equipamentos e demanda adaptabilidade da mão de obra local.
O projeto da Fibrasa sinaliza uma transição relevante na indústria nacional de embalagens, ao estimular migração das tradicionais latas metálicas para alternativas plásticas, mais sustentáveis e alinhadas a exigências globais. Os novos equipamentos elevam a capacidade física, enquanto a mudança no mix de produtos cria oportunidades para fornecedores e amplia a relevância do Espírito Santo como polo nacional desse segmento.
Como resultado, o investimento representa o maior já realizado em 55 anos de operação da Fibrasa na região, impactando tanto nos níveis de emprego quanto na evolução tecnológica da cadeia produtiva.

