A World Precision Instruments (WPI) e a SynVivo anunciaram, em 11 de junho de 2025, uma plataforma multiplexada chamada TEER-on-a-Chip, voltada para o monitoramento de barreiras celulares em modelos de organ-on-a-chip. A solução mede a resistência elétrica transepitelial e transendotelial (TEER) em tempo real, uma métrica usada para avaliar a integridade estrutural de tecidos biológicos em laboratório. O diferencial técnico central é a capacidade de monitorar múltiplos canais e amostras simultaneamente, algo que os métodos convencionais não oferecem com a mesma eficiência.
O que a plataforma faz e por que interessa à pesquisa biomédica
A medição TEER é rotina em laboratórios que trabalham com modelos de barreira hematoencefálica, intestinal e pulmonar, entre outros. O problema com as abordagens tradicionais é que elas exigem medições manuais, sequenciais e sujeitas a variação experimental. A nova plataforma da WPI e da SynVivo automatiza e paraleliza esse processo, reduzindo o tempo de ensaio e o risco de erro humano em experimentos de alta complexidade.
A WPI, fundada em 1967 e sediada em Sarasota, Flórida, fornece instrumentos científicos para universidades, institutos de pesquisa e empresas farmacêuticas em todo o mundo. A SynVivo é especializada em microfluídica e sistemas biomiméticos. A combinação das duas competências resulta em uma ferramenta direcionada especificamente à fase pré-clínica do desenvolvimento de medicamentos, etapa em que falhas são caras e frequentes.
Contexto do mercado de organ-on-a-chip
As plataformas de organ-on-a-chip ganharam tração na última década como alternativa aos modelos animais em pesquisa farmacêutica. Elas reproduzem microambientes celulares em chips de microfluídica, permitindo testar compostos em condições mais próximas da fisiologia humana. O mercado global dessas tecnologias foi avaliado em cerca de US$ 130 milhões em 2023 e deve ultrapassar US$ 800 milhões até o final da década, segundo estimativas do setor.
Para a indústria farmacêutica, a relevância é direta: aumentar a precisão na fase pré-clínica significa reduzir a taxa de abandono de compostos nos ensaios clínicos, que hoje supera 90% entre as moléculas que entram em fase I. Qualquer ferramenta que melhore a capacidade preditiva dos modelos laboratoriais tem potencial de reduzir custos de P&D, que chegam a bilhões de dólares por medicamento aprovado.
Chegada ao Brasil
O Brasil conta com centros de pesquisa translacional em expansão, como os vinculados à Fiocruz, ao Instituto Butantan e a universidades federais que já operam com modelos celulares avançados. Startups de biotech brasileiras também têm buscado instrumentação mais sofisticada para competir em editais internacionais e parcerias com laboratórios estrangeiros. A WPI já distribui produtos no mercado brasileiro por meio de representantes locais, o que coloca a plataforma TEER-on-a-Chip no radar de compras de equipamentos científicos nacionais para os próximos ciclos de aquisição.

