O Perfil 2025 da Abiplast mostra um marco importante: a produção brasileira de resinas recicladas atingiu 1,012 milhão de toneladas em 2024. Esse volume significa que o reciclado já representa uma fatia relevante do mercado — e começa, pela primeira vez, a competir diretamente com o plástico virgem em algumas aplicações.
A maior parte dessa produção vem de três resinas:
PET, líder absoluto em volume e pureza;
PP reciclado, que avança em utilidades domésticas e peças técnicas;
PEAD, muito usado em filmes, sacarias, tubos de baixa pressão e embalagens rígidas.
O PET apresenta os melhores índices: pureza média superior a 90%, reinserção em embalagens rígidas e capacidade de atender segmentos sensíveis, como alimentos e bebidas, quando o material é certificado.
Já o PP reciclado cresce acima de 15% ao ano, impulsionado por setores que aceitam incorporar 20% a 40% de reciclado sem perda significativa de desempenho.
O relatório também mostra que, apesar do volume expressivo, existe capacidade ociosa de 900 mil toneladas no país — o suficiente para praticamente dobrar a produção atual de reciclado, caso houvesse coleta seletiva e logística reversa mais eficientes.
Com metas ambientais cada vez mais rígidas e grandes marcas exigindo conteúdo reciclado, o mercado deve crescer rapidamente.
O Brasil ainda está abaixo do seu potencial, mas já mostrou que tem estrutura industrial para liderar a circularidade na América Latina.

