A farmacêutica belga UCB S.A. anunciou, em 24 de março de 2026, um aporte de US$ 2 bilhões no estado da Geórgia para construir sua primeira unidade de manufatura nos Estados Unidos. A empresa, fundada em 1928 e sediada em Bruxelas, atua em mais de 40 países com foco em neurologia e imunologia, e a nova fábrica produzirá medicamentos biológicos e biossimilares, segmento que exige altos padrões de automação, engenharia e controle de qualidade.
Pressão tarifária acelera relocalizações no setor
O investimento da UCB acompanha uma tendência que se intensificou a partir de 2025: a migração da produção farmacêutica para solo americano em resposta às tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre importações de medicamentos e insumos, especialmente os de origem europeia e asiática. AstraZeneca e outros grupos do setor já anunciaram movimentos similares nos últimos meses. A pressão tarifária funciona como desincentivo à importação e como estímulo direto à instalação de capacidade produtiva local, reconfigurando cadeias globais de suprimentos que foram construídas ao longo de décadas.
Para a indústria como um todo, o efeito vai além da farmacêutica. Fornecedores de equipamentos industriais, insumos de processo, empresas de construção especializada e operadores logísticos são arrastados para dentro desse ciclo de investimentos. Cada nova fábrica biofarmacêutica carrega consigo uma cadeia extensa de contratos e fornecimentos de alto valor agregado.
Por que a Geórgia
A escolha do estado não é uma coincidência. A Geórgia consolidou nos últimos anos uma posição relevante na atração de investimentos industriais de grande porte, combinando incentivos fiscais competitivos com infraestrutura logística de peso, incluindo o Porto de Savannah, um dos maiores dos Estados Unidos. A proximidade com universidades e centros de pesquisa reforça o apelo para projetos de manufatura complexa, como a biofarmacêutica.
O investimento da UCB deve gerar centenas de empregos diretos qualificados no estado, segundo o Departamento de Desenvolvimento Econômico da Geórgia, que divulgou o anúncio. O efeito multiplicador sobre fornecedores locais e prestadores de serviços especializados eleva ainda mais o peso econômico do projeto para a região.
A UCB encerrou 2024 com receita de aproximadamente 6,7 bilhões de euros, segundo seus resultados anuais divulgados pela companhia.

