A BYD demite em larga escala na China e contrata no Brasil. A montadora chinesa de veículos elétricos anunciou o corte de aproximadamente 100 mil postos de trabalho em seu país de origem, pressionada pela automação crescente e pela guerra de preços que corrói margens no mercado automotivo chinês. No mesmo período, a empresa acelera a estruturação de sua megafábrica em Camaçari, na Bahia, com investimento previsto de R$ 3 bilhões e capacidade inicial para produzir 150 mil veículos por ano.
Do polo Ford à maior fábrica de elétricos do Brasil
A unidade baiana ocupa o antigo complexo industrial da Ford, desativado em 2021 após décadas de operação e em meio a uma das crises mais simbólicas da indústria automotiva nacional. A BYD absorveu a estrutura e transformou o espaço em um dos projetos de manufatura mais ambiciosos do setor no país. As contratações já em andamento apontam para milhares de empregos diretos e indiretos na região Nordeste, ainda que a empresa não tenha divulgado um número definitivo de vagas.
O movimento contrasta com o que ocorre na sede da empresa. Na China, a pressão por eficiência operacional e a substituição de funções por automação forçaram uma reestruturação de escala rara mesmo para os padrões do setor automotivo global. Os 100 mil desligamentos equivalem a uma parcela expressiva do quadro de funcionários que a BYD acumulou nos anos de crescimento acelerado.
Brasil como destino da relocalização industrial
A trajetória da BYD no Brasil se encaixa em um movimento mais amplo de grandes fabricantes que buscam mercados emergentes com incentivos fiscais atrativos, demanda em expansão e mão de obra disponível. O país oferece ainda um arcabouço de políticas de incentivo à eletrificação da frota, o que torna a América Latina, com o Brasil à frente, um alvo estratégico para montadoras que precisam diversificar sua base produtiva.
Para a cadeia automotiva nacional, o interesse vai além da criação de vagas. A instalação de uma operação verticalmente integrada como a da BYD, que produz suas próprias baterias e componentes eletrônicos embarcados, tem potencial de atrair fornecedores especializados e pressionar por atualização tecnológica em toda a cadeia produtiva local. A Bahia, especificamente, enxerga na fábrica uma âncora industrial para recompor parte do tecido produtivo que se desfez com a saída da Ford.
A BYD encerrou 2023 como a maior vendedora de veículos elétricos e híbridos do mundo, com mais de 3 milhões de unidades entregues, superando a Tesla em volume total de eletrificados. No Brasil, a marca já figura entre as mais vendidas no segmento de híbridos plug-in, segmento que cresce em ritmo acelerado desde 2022.

