A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST) realizou, em 29 de junho de 2026, um workshop sobre rotomoldagem que reuniu cerca de 80 participantes, entre representantes de empresas de transformação, fornecedores de resinas, fabricantes de equipamentos e especialistas técnicos. O evento colocou em pauta um tema que vem ganhando espaço nas linhas de produção do setor: o uso de impressoras 3D industriais como ferramentas complementares ao processo tradicional de moldagem rotacional.
Impressão 3D entra na cadeia da rotomoldagem
A rotomoldagem consiste na moldagem térmica de resinas plásticas em pó dentro de moldes rotativos. O processo, consolidado há décadas, passou a ser influenciado por tecnologias de manufatura aditiva, especialmente na etapa de desenvolvimento de moldes. Fabricantes de equipamentos já integram células de impressão 3D em suas linhas, utilizando tecnologias como FDM (Modelagem por Deposição de Material) e SLS (Sinterização Seletiva a Laser) para produzir moldes protótipos e peças de baixo volume com mais agilidade do que os métodos convencionais de usinagem permitem.
Empresas brasileiras do setor plástico que adotaram manufatura aditiva nos seus processos relatam reduções de até 60% no tempo de desenvolvimento de moldes. Além da velocidade, há redução na dependência de importações de ferramental especializado, o que tem peso direto nos custos operacionais em um ambiente de câmbio volátil.
Contexto da ABIPLAST e representatividade do setor
Fundada em 1967 e sediada em São Paulo, a ABIPLAST representa mais de 10 mil empresas da indústria plástica brasileira. A escolha da rotomoldagem como tema central do workshop reflete um movimento mais amplo da associação de aproximar fabricantes de equipamentos de especialistas em tecnologias digitais, estruturando uma agenda técnica que vai além dos processos convencionais.
Globalmente, o mercado de impressão 3D industrial deve movimentar mais de US$ 44 bilhões até 2030, com expansão concentrada nos segmentos de moldagem, aeroespacial e automotivo, segundo projeções do setor. No Brasil, a adoção ainda é incipiente em boa parte das empresas de médio porte, mas eventos como o promovido pela ABIPLAST funcionam como canais de difusão técnica para um universo de fornecedores e transformadores que, em sua maioria, ainda não incorporou a manufatura aditiva às suas rotinas de desenvolvimento de produto.
O workshop de junho reuniu em um único ambiente fabricantes de equipamentos, fornecedores de resinas e compostos e especialistas com experiência prática em processos digitais, formato que favorece a transferência direta de conhecimento técnico entre os elos da cadeia. A ABIPLAST não divulgou programação de novos eventos sobre o tema até o fechamento desta reportagem.

