Dexco vende fábrica em Urussanga (SC) por R$ 170 milhões dois meses após encerrar operações na unidade

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A Dexco S.A. concluiu a venda de sua unidade fabril em Urussanga, no Sul de Santa Catarina, por R$ 170 milhões para uma empresa compradora com sede em São Paulo que já opera no estado. O negócio foi fechado cerca de dois meses após o encerramento das atividades produtivas na planta, o que significa que a alienação do ativo veio depois de uma decisão operacional já tomada. A sequência revela uma estratégia deliberada de desinvestimento: primeiro se para de produzir, depois se vende o imobilizado.

Ativos não estratégicos na mira

A Dexco, anteriormente conhecida como Duratex, é listada na B3 e figura entre as maiores empresas brasileiras de materiais de construção e painéis de madeira. Nos últimos anos, grandes conglomerados industriais brasileiros têm adotado com frequência crescente a prática de separar o que é core business do que consome capital sem retorno proporcional. A venda de Urussanga se encaixa nesse movimento: a planta deixou de ser estratégica para o grupo, e R$ 170 milhões em caixa valem mais do que uma fábrica parada.

A compradora, já estabelecida em Santa Catarina, amplia com a transação sua capacidade instalada sem precisar construir do zero. Infraestrutura fabril consolidada tem valor, especialmente em regiões onde licenças ambientais e logística de escoamento já estão equacionadas.

O peso da região no setor industrial

Urussanga e o entorno de Criciúma formam um polo historicamente ligado à extração de carvão mineral e à produção de revestimentos cerâmicos. A presença de grandes indústrias de pisos e azulejos na região é antiga, e qualquer movimentação patrimonial de porte nessa área repercute no mercado local de trabalho e na cadeia de fornecedores. O fechamento de uma unidade da Dexco e a subsequente venda do ativo por quase R$ 200 milhões ilustra como esse mapa industrial segue em rearranjo.

Para o setor de materiais de construção como um todo, a operação reforça uma tendência de consolidação que combina fusões, aquisições e desinvestimentos. Empresas menores ou regionais ganham escala comprando ativos de grupos maiores que estão enxugando portfólio. Quem vende libera capital. Quem compra ganha estrutura pronta. O resultado é um setor com menos players dispersos e posições mais concentradas.

A Dexco encerrou 2023 com receita líquida de R$ 6,4 bilhões, segundo dados da companhia, e vinha revisando sua estrutura operacional em diferentes frentes. A venda de Urussanga é uma dessas frentes.

Marcelo Costa
Marcelo Costahttps://galpaodasmaquinas.com.br
Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

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