A Illinois Tool Works (ITW) e a Nucor Corporation, dois dos maiores conglomerados industriais dos Estados Unidos, divulgaram em julho de 2026 balanços e comunicados que sinalizam um ciclo de crescimento consistente para a manufatura global. Os dados, publicados pela revista especializada IndustryWeek, indicam que ambas as empresas identificam um conjunto de fatores macroeconômicos favoráveis sustentando a expansão do setor ao longo deste ano, com efeitos que chegam às cadeias produtivas da Ásia e, indiretamente, ao Brasil.
O que dizem os números
A ITW registrou receitas anuais superiores a 15 bilhões de dólares em seus últimos exercícios fiscais, com margens operacionais consistentemente acima de 25%, índice que a coloca entre as industriais de maior eficiência operacional no mundo. A empresa atua em mais de 55 países, com plantas relevantes na China, Índia e Coreia do Sul, nos segmentos de soldagem industrial, embalagens, equipamentos para alimentação, polímeros e componentes automotivos. Já a Nucor é a maior produtora de aço dos Estados Unidos por capacidade instalada, com mais de 27 milhões de toneladas métricas de aço produzidas por ano e o maior quadro de funcionários da siderurgia americana.
Ambas as companhias têm sede nos Estados Unidos, a ITW em Chicago e a Nucor em Charlotte, mas suas operações e os sinais que emitem ao mercado repercutem globalmente.
Nearshoring e tarifas redefinem rotas de fornecimento
O termo utilizado pelas duas empresas em seus comunicados, “tailwinds” ou ventos favoráveis, descreve um conjunto específico de condicionantes: os investimentos federais americanos em infraestrutura, a demanda crescente por aço estrutural e componentes industriais avançados, e o movimento de nearshoring e friendshoring, que consiste na transferência de produção para países aliados ou geograficamente mais próximos dos Estados Unidos.
Esse reposicionamento das cadeias globais afeta diretamente países como China, Vietnã, Indonésia, Índia e Bangladesh, que têm perdido contratos e participação em rotas de fornecimento pressionadas pelas tarifas norte-americanas. A Nucor é uma das maiores beneficiárias dessa política: a manutenção e a ampliação das tarifas sobre o aço chinês favorecem a produção doméstica americana e reduzem a competitividade das importações asiáticas no mercado dos Estados Unidos.
Impacto para o Brasil e para gestores do setor
Para o setor industrial brasileiro, os sinais emitidos por ITW e Nucor têm implicações concretas. A demanda aquecida por aço, componentes de precisão e sistemas de soldagem ao longo de 2026 e possivelmente em 2027 tende a pressionar os preços de commodities e matérias-primas em nível global. O fortalecimento da manufatura americana, sustentado por política industrial ativa, aprofunda a concorrência com produtores de outras regiões e exige que empresas brasileiras que exportam insumos industriais reavaliem estratégias de precificação e posicionamento.
A Nucor produziu mais de 27 milhões de toneladas métricas de aço no último ciclo fiscal, volume que por si só ilustra a escala do reequilíbrio em curso na indústria global.

