Os Estados Unidos retiraram 471 produtos brasileiros da nova rodada de tarifas comerciais fixadas em 37,5%, classificando-os como estratégicos para a própria economia norte-americana. A lista foi divulgada em 24 de julho de 2026 e trouxe alívio imediato para setores como plásticos, químicos, autopeças, máquinas, papel e celulose e metalurgia, que dependem do mercado americano como destino relevante de suas exportações. O movimento evidencia tanto a capacidade de negociação de parte do setor exportador brasileiro quanto a interdependência comercial entre os dois países.
Tarifa de 37,5% e o risco para a competitividade brasileira
Sem as exceções, a tarifa de 37,5% encareceria os produtos brasileiros nos EUA em proporção suficiente para tirá-los da concorrência frente a fornecedores de países com acordos comerciais mais favoráveis com Washington. O acirramento das disputas tarifárias teve origem durante o governo Trump e continuou moldando a política comercial americana nos anos seguintes, com o Brasil tentando preservar espaço em um dos seus principais mercados externos para manufaturados e commodities processadas.
A Abiplast, Associação Brasileira da Indústria do Plástico, já havia emitido alerta formal em 20 de julho de 2026, quatro dias antes da publicação da lista de exceções, cobrando negociação direta entre os governos diante da tarifa de 25% anunciada anteriormente. O fato de o setor ter se mobilizado antes mesmo da divulgação da nova rodada indica que a indústria organizada monitorava de perto o avanço das restrições e pressionava por solução diplomática.
O que a lista de exceções revela e o que ainda preocupa
O número de 471 itens isentos sinaliza que o governo americano reconhece dependência de insumos e produtos brasileiros em cadeias produtivas específicas dos EUA. Mas, ao mesmo tempo, expõe a fragilidade dos demais exportadores brasileiros que permaneceram sujeitos ao imposto. Para esses setores, a tarifa de 37,5% entra em vigor sem alívio imediato, pressionando margens e exigindo reposicionamento de preços ou redirecionamento de destinos de exportação.
O câmbio adiciona uma camada de incerteza ao quadro. A volatilidade do real frente ao dólar pode atenuar ou ampliar os efeitos das tarifas dependendo do momento, mas não substitui a necessidade de previsibilidade regulatória para o planejamento das empresas exportadoras. Entidades setoriais e o governo federal terão de intensificar as negociações bilaterais para ampliar o escopo das exceções nas próximas rodadas.
Os EUA são um dos principais destinos das exportações industriais brasileiras. Em 2025, o país foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, absorvendo parcela relevante de produtos manufaturados com maior valor agregado que o governo brasileiro tem interesse em ampliar na pauta exportadora.

