Os Estados Unidos divulgaram, em 24 de julho de 2026, uma lista de exceções ao tarifaço de 37,5% que seria aplicado sobre produtos brasileiros, preservando 471 itens considerados estratégicos tanto para a economia norte-americana quanto para a pauta de exportação do Brasil. A decisão chega após meses de escalada protecionista americana, que já havia imposto tarifas de 25% ao Brasil em rodada anterior, e representa um resultado concreto das negociações bilaterais conduzidas ao longo do primeiro semestre do ano.
Quais setores ganham fôlego com a medida
Entre os segmentos potencialmente contemplados pelas exceções estão insumos industriais, produtos químicos, componentes eletroeletrônicos e manufaturados de média e alta complexidade. São exatamente as categorias com maior presença no parque fabril do estado de São Paulo, em polos como Campinas, Paulínia e municípios vizinhos, que concentram indústrias fortemente dependentes do mercado norte-americano como destino de exportação. A manutenção desses itens fora da lista tarifária preserva contratos já firmados e evita a perda de competitividade frente a concorrentes de outros países que não enfrentam as mesmas alíquotas.
Entidades como a Abiplast e a FIESP vinham pressionando o governo federal por negociações mais agressivas com Washington desde que o novo ciclo protecionista americano ganhou força em 2025. A inclusão de produtos plásticos e químicos na lista de exceções seria uma vitória direta para essas representações, ainda que o detalhamento completo dos 471 itens ainda esteja sendo analisado pelo setor privado.
Diplomacia comercial como instrumento de política industrial
O resultado das negociações evidencia que a diplomacia comercial passou a operar como ferramenta central da política industrial brasileira, especialmente em um ambiente em que tarifas e barreiras não tarifárias se tornaram variáveis permanentes do comércio global. O Brasil negociou as exceções com base na relevância dos itens para cadeias produtivas americanas, argumento que tende a ser mais eficaz do que apelos puramente diplomáticos ou retaliações comerciais.
Para as indústrias instaladas no interior paulista, onde a densidade de exportadores diretos é alta, a diferença entre estar ou não na lista de exceções pode significar margens operacionais completamente distintas. Uma tarifa de 37,5% sobre produtos industrializados de valor agregado médio inviabiliza contratos de longo prazo com importadores americanos, que rapidamente migram para fornecedores asiáticos sujeitos a alíquotas menores ou equivalentes.
A política tarifária dos Estados Unidos em 2025 e 2026 afetou mais de 60 países, segundo dados do governo americano, com alíquotas que variam conforme o parceiro comercial e a categoria de produto. O Brasil, com uma tarifa base de 10% negociada para parte da pauta, segue em posição intermediária em comparação a países como China e Vietnã, que enfrentam sobretaxas muito mais elevadas. Os 471 itens excluídos do tarifaço de 37,5% representam uma fatia relevante, mas ainda não quantificada em valor exportado, do total da corrente comercial bilateral.

