CNI propõe ampliação da NIB ao governo federal para reduzir o custo de importação de máquinas e equipamentos industriais

Data:

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) formalizou uma proposta ao governo federal para ampliar a Nomenclatura de Importação Brasileira (NIB), o sistema de classificação tarifária que regula as alíquotas cobradas sobre produtos importados. O objetivo é reduzir os efeitos do chamado “tarifaço” norte-americano sobre as indústrias brasileiras que dependem de máquinas, equipamentos e insumos adquiridos no exterior para manter ou expandir sua capacidade produtiva.

A medida ganha peso em julho de 2026, quando as tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros continuam a pressionar as cadeias industriais e encarecem o acesso a tecnologias sem equivalente fabricado no Brasil. A revisão da NIB pode abrir caminho para a redução ou isenção de impostos sobre categorias específicas de bens de capital, por meio de um mecanismo já consolidado na política industrial brasileira: os chamados Ex-tarifários, que permitem importar equipamentos com alíquota zero ou reduzida quando comprovada a inexistência de produção doméstica equivalente.

Custo de importação como freio ao investimento industrial

O encarecimento das importações em um ambiente tarifário global mais restritivo afeta diretamente as decisões de investimento das indústrias em automação e atualização tecnológica. Sem acesso competitivo a equipamentos modernos, as plantas industriais brasileiras perdem capacidade de ganho de produtividade, o que compromete a competitividade do produto nacional tanto no mercado doméstico quanto nas exportações.

A CNI representa mais de 700 sindicatos patronais e atua como principal interlocutora do setor junto ao Executivo e ao Legislativo. A formalização dessa proposta indica que os danos do novo ciclo tarifário internacional já se manifestam de forma concreta na operação das fábricas brasileiras, não apenas como risco prospectivo.

O que muda com a ampliação da NIB

Qualquer revisão efetiva da NIB que resulte em alíquotas menores para máquinas sem similar nacional pode destravar compras represadas por empresas industriais, com reflexo direto na geração de empregos e na capacidade produtiva instalada. O mecanismo dos Ex-tarifários já mostrou resultados históricos nesse sentido: ao reduzir o custo tributário na aquisição de tecnologia estrangeira, o governo estimula a modernização do parque industrial sem abrir mão da proteção aos fabricantes domésticos de equipamentos equivalentes.

A proposta da CNI ainda aguarda resposta formal do governo federal. O prazo e a abrangência da eventual revisão da NIB definirão se o mecanismo conseguirá, na prática, compensar o encarecimento provocado pelo tarifaço norte-americano sobre os custos de importação da indústria brasileira.

Marcelo Costa
Marcelo Costahttps://galpaodasmaquinas.com.br
Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

Compartilhar:

Inscreva-se

spot_imgspot_img

Popular

Você vai gostar
relacionados