A Arauco, multinacional chilena do setor florestal, está construindo em Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, a maior fábrica de celulose do mundo. O investimento total chega a US$ 4,6 bilhões e o projeto, chamado de MAPA 2, deve movimentar um dos maiores volumes de contratação de mão de obra técnica industrial já registrados em um único empreendimento privado no Brasil. Só na fase de obras, são esperados mais de 14 mil postos diretos e indiretos.
Quais perfis técnicos estão em demanda
A construção de uma planta industrial dessa escala consome profissionais que o mercado classifica como escassos: soldadores, caldeireiros, instrumentistas, montadores eletromecânicos, técnicos em automação e especialistas em segurança do trabalho. São funções que combinam alta especialização com remuneração acima da média da indústria, e a demanda tende a se concentrar nos primeiros anos de obra, quando o canteiro opera com maior intensidade de mão de obra.
Projetos como o MAPA 2 também costumam funcionar como portas de entrada para trabalhadores de outras regiões do país. Empresas montadoras subcontratadas pelo empreendimento principal tendem a oferecer treinamentos específicos durante a execução das obras, o que permite qualificar trabalhadores com perfil parcialmente aderente às funções mais especializadas.
Operação permanente e ciclo total de vagas
Quando a fábrica entrar em operação, a previsão é de que cerca de 6 mil postos de trabalho permaneçam ativos de forma contínua. Somados aos empregos gerados durante a construção, o ciclo total do projeto deve alcançar até 20 mil vagas, número que inclui contratos temporários de obra e posições efetivas na planta operacional.
Três Lagoas já é um polo consolidado de celulose de mercado. A Suzano opera na região há anos, e a chegada da Arauco reforça a concentração do setor no centro-oeste brasileiro, onde o clima favorece o cultivo de eucalipto com ciclos de colheita mais curtos do que os observados no hemisfério norte, reduzindo custos e aumentando a competitividade das exportações.
Investimento estrangeiro mesmo sob pressão tarifária
O avanço do projeto ocorre em um momento em que exportadores brasileiros enfrentam a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinadas categorias de produtos. A celulose de fibra curta de eucalipto, principal produto da futura planta, tem demanda firme na Ásia e na Europa, mercados que absorvem a maior parte da produção brasileira e que não estão diretamente afetados pela política tarifária americana no segmento.
A Arauco já atua no Brasil por meio da Arauco do Brasil, com unidades existentes no Mato Grosso do Sul. O MAPA 2 representa a ampliação dessa presença e coloca o país em posição de ampliar sua liderança global na produção de celulose de eucalipto. Segundo dados do setor, o Brasil já responde por parcela expressiva da celulose de fibra curta negociada no mercado internacional, e a nova fábrica, quando estiver em plena operação, deve elevar ainda mais esse volume.

