O Produto Interno Bruto da China avançou 4,3% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava expansão entre 4,7% e 5,0%. O dado, divulgado em 15 de julho pelo governo chinês, repercute diretamente sobre o setor siderúrgico e de mineração do Brasil: a China absorve mais de 60% das exportações brasileiras de minério de ferro e é o maior consumidor global de aço, o que torna qualquer recuo no ritmo de crescimento do país um sinal de alerta imediato para empresas como Vale, CSN, Usiminas e Gerdau.
Preços pressionados num momento já delicado
Quando a demanda chinesa desacelera, os preços internacionais do minério de ferro e do aço laminado tendem a recuar. Para o setor brasileiro, essa dinâmica chega num momento particularmente adverso. O segundo tarifaço norte-americano anunciado pelo governo Trump em 2026 já reduziu o espaço de escoamento do aço nacional para os Estados Unidos, estreitando as alternativas de mercado disponíveis para as usinas. Perder tração no lado chinês, enquanto a porta americana se fecha, aperta a equação comercial do setor por dois flancos ao mesmo tempo.
O cenário interno agrava o quadro. Os juros ainda elevados no Brasil encarecem o crédito para investimentos em capacidade produtiva, reduzindo a margem das empresas para absorver eventuais quedas de preço no mercado externo sem comprometer rentabilidade. Companhias abertas do setor podem ser levadas a revisar seus guidances para o segundo semestre, dado que as receitas de exportação dependem tanto do volume embarcado quanto dos preços praticados nas cotações internacionais.
Estímulos chineses ainda não reverteram a tendência
Pequim tem adotado pacotes de infraestrutura e medidas de incentivo ao setor imobiliário para tentar sustentar o crescimento próximo à meta oficial de 5% ao ano fixada pelo Partido Comunista Chinês para 2026. Os resultados, por ora, não foram suficientes para reverter o desaquecimento. O segundo trimestre encerrou 0,4 ponto percentual abaixo do piso das estimativas de mercado, o que alimenta dúvidas sobre a capacidade de recuperação da demanda por insumos metálicos ao longo dos próximos meses.
Para as mineradoras brasileiras, a pergunta prática é quanto os preços do minério de ferro vão ceder antes de estabilizar. A Vale, maior exportadora mundial da commodity, já opera com atenção redobrada às sinalizações vindas de Pequim. A Usiminas e a CSN, que combinam mineração e produção siderúrgica, enfrentam pressão simultânea nos dois elos da cadeia. No fechamento do primeiro trimestre de 2026, o preço de referência do minério de ferro no porto de Qingdao girava em torno de 100 dólares por tonelada, patamar considerado estreito pelas maiores produtoras brasileiras para sustentar margens confortáveis.

