A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) divulgou, em 15 de julho de 2026, uma análise apontando que o segundo round de sobretaxas tarifárias imposto pelos Estados Unidos tende a afetar a economia catarinense com intensidade acima da média nacional. O motivo é direto: mais da metade das exportações de Santa Catarina destinadas ao mercado norte-americano está exposta às novas alíquotas. Enquanto outros estados conseguiram alguma margem de manobra por meio de renegociações pontuais ou diversificação de destinos, SC permanece em posição mais vulnerável.
Setores mais expostos e por quê SC está na linha de frente
Os segmentos de madeira e manufaturados lideram as perdas de competitividade identificadas pelo levantamento. São justamente os setores que sustentam boa parte do PIB industrial catarinense e concentram empregos formais no interior do estado, especialmente em municípios como São Bento do Sul, referência nacional na produção de móveis voltados à exportação. A política comercial protecionista retomada pelo governo dos EUA em 2025 e intensificada em 2026 vem impondo tarifas escalonadas sobre manufaturados e commodities processadas brasileiras, e Santa Catarina, por ter construído uma base exportadora muito orientada a esse mercado, sente o efeito de forma mais aguda.
Joinville e Blumenau, dois dos maiores polos industriais do sul do Brasil, também entram no radar da análise. Ambas as cidades concentram indústrias de alto valor agregado, com cadeias produtivas que dependem da competitividade no mercado externo para sustentar margens e volume de produção. Uma retração nas exportações para os EUA, mesmo que gradual, pode pressionar as margens operacionais dessas empresas e, no limite, resultar em corte de postos de trabalho no setor manufatureiro formal.
O contraste com o restante do país
O índice médio de exposição tarifária recuou no restante do Brasil, o que sugere que parte das empresas e estados conseguiu redirecionar fluxos comerciais ou se beneficiou de negociações diplomáticas. Santa Catarina não teve o mesmo movimento. A concentração de pauta exportadora voltada para os EUA, historicamente uma vantagem competitiva do estado, tornou-se agora um fator de risco estrutural dentro do atual ambiente de protecionismo norte-americano.
A análise da FIESC chega em um momento em que o Brasil discute internamente a agenda de política industrial para o segundo semestre de 2026, e em que a diplomacia comercial do país tenta equilibrar relações com Washington sem abrir mão de interesses estratégicos. Para Santa Catarina, o desafio é mais imediato. O estado exportou, em 2025, cerca de 30% de sua pauta total para os Estados Unidos, proporção bem acima da média das demais unidades da federação, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

