Tarifas de Trump ameaçam mais de 4 mil produtos brasileiros e colocam em risco receitas do setor de papel e celulose

Data:

A política tarifária do governo Donald Trump representa uma das maiores ameaças ao comércio exterior brasileiro dos últimos anos. Levantamento divulgado pelo Portal da Indústria, veículo oficial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta que mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos podem ser afetados pelas sobretaxas impostas pela administração americana a partir de 2025. Para o setor de papel e celulose, a exposição é direta: o Brasil é um dos maiores exportadores mundiais de celulose de eucalipto branqueada, a chamada BEKP, com Suzano, Klabin e Eldorado Brasil entre os principais fornecedores globais do produto.

Competitividade em xeque

O problema central não é apenas o valor das tarifas em si, mas o efeito comparativo que elas geram. Canadá, Chile e países escandinavos também abastecem o mercado norte-americano de fibra de celulose, e qualquer sobretaxa incidente exclusivamente — ou de forma mais agressiva — sobre produtos brasileiros deteriora a posição competitiva das exportadoras nacionais. O setor movimenta bilhões de dólares em exportações anuais para os Estados Unidos, e uma perda de fatia nesse mercado não é facilmente compensada no curto prazo por outros destinos.

A pressão tarifária americana foi retomada com maior intensidade em 2025, quando o governo Trump expandiu as sobretaxas a importações de diversas origens, afetando cadeias produtivas inteiras. O setor de celulose e papel brasileiro, que havia consolidado sua presença no mercado americano ao longo de anos de investimento em produtividade e escala, passa agora a operar em um ambiente de incerteza sobre os custos de acesso a esse destino.

Efeitos além das receitas de exportação

Além da perda potencial de receita, a ameaça tarifária afeta decisões de investimento. Expansões industriais em curso no Mato Grosso do Sul e no Maranhão dependem de projeções de demanda e preço que levam em conta o comportamento dos mercados externos. Contratos de longo prazo firmados entre produtores brasileiros e compradores internacionais também ficam sob pressão quando o ambiente regulatório dos países importadores se torna imprevisível.

Há ainda o risco de contágio nos preços domésticos. Se a celulose exportável encontra barreiras no exterior, parte do volume pode ser redirecionada ao mercado interno, alterando a dinâmica de preços e margens para os fabricantes de papel que atuam no Brasil. O efeito não é automático, mas a concentração de oferta em poucos grandes produtores torna esse tipo de distorção mais provável.

A CNI e a Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ) têm acompanhado as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, defendendo a manutenção de condições competitivas para os exportadores nacionais. O Brasil exportou, em 2024, cerca de 20 milhões de toneladas de celulose, com os Estados Unidos figurando entre os principais mercados de destino da produção nacional de fibra curta branqueada.

Marcelo Costa
Marcelo Costahttps://galpaodasmaquinas.com.br
Marcelo Costa é redator especializado em conteúdos voltados ao universo empresarial, industrial e de engenharia. Com experiência na produção de textos informativos e analíticos, atua na cobertura de notícias relevantes do setor produtivo, acompanhando tendências, movimentações de mercado e avanços tecnológicos que impactam diretamente empresas e profissionais da área. Seu trabalho é focado em transformar informações técnicas e dados complexos em conteúdos claros, objetivos e úteis para o dia a dia de empresários, gestores e operadores. Ao longo de suas publicações, busca não apenas informar, mas também contextualizar os acontecimentos, destacando oportunidades, riscos e mudanças que podem influenciar decisões estratégicas. No blog, Marcelo aborda desde atualizações do cenário industrial até inovações em engenharia, novos investimentos, fusões, aquisições e mudanças regulatórias. Seu compromisso é entregar conteúdo confiável, direto ao ponto e alinhado com a realidade de quem vive o mercado na prática.

Compartilhar:

Inscreva-se

spot_imgspot_img

Popular

Você vai gostar
relacionados