A Sany Group, multinacional chinesa com receita anual superior a US$ 14 bilhões, anunciou em 13 de maio de 2026 a instalação de sua terceira fábrica no Brasil no antigo galpão da Mercedes-Benz em Campinas, interior de São Paulo. A escolha do espaço não é casual: o galpão carrega décadas de tradição manufatureira na região, e sua reocupação por uma das maiores fabricantes de equipamentos de construção do mundo redefine o perfil do parque industrial campineiro. A empresa já opera no país com unidades em Pouso Alegre, em Minas Gerais, e na capital paulista.
Campinas como destino estratégico
A cidade integra o Corredor Tecnológico e Industrial do interior paulista, com acesso direto às rodovias Anhanguera e Bandeirantes e proximidade com o Aeroporto Internacional de Viracopos, um dos principais centros de cargas do Brasil. A combinação de infraestrutura logística, ecossistema de fornecedores consolidado, universidades técnicas e mão de obra especializada pesou na decisão da Sany. Para uma fabricante de máquinas pesadas com operações em expansão na América do Sul, esses fatores reduzem custos operacionais e encurtam prazos de entrega.
No ranking global, a Sany figura entre as cinco maiores fabricantes de equipamentos de construção do planeta, competindo diretamente com Caterpillar, Komatsu e Liebherr. A estratégia da empresa no Brasil passa pela substituição de importações e pelo atendimento à demanda crescente por máquinas pesadas no mercado sul-americano, onde obras de infraestrutura e projetos de mineração sustentam a procura por esse tipo de equipamento.
Impacto no polo industrial e na cadeia produtiva
A instalação da nova planta tende a gerar um efeito multiplicador nos fornecedores regionais. Os segmentos de metalurgia, eletroeletrônica e logística industrial são os mais diretamente afetados, com perspectiva de criação de centenas de postos de trabalho diretos e indiretos. O polo de Campinas, que nos últimos anos viu algumas operações tradicionais migrarem ou encerrarem atividades, recebe com a Sany um sinal de que a região ainda atrai investimentos industriais de grande porte.
O movimento também reflete uma tendência mais ampla: empresas estrangeiras, especialmente de origem asiática, têm optado por produzir localmente no Brasil para contornar barreiras tarifárias e reduzir a dependência de cadeias logísticas internacionais sujeitas a instabilidades. A Sany foi fundada em 1989 e hoje emprega mais de 100 mil pessoas em todo o mundo, com presença em mais de 150 países.
O galpão da Mercedes-Benz em Campinas, símbolo da manufatura européia no Brasil por décadas, passa agora para as mãos de um dos maiores conglomerados industriais da China.

