A Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) chega a abril de 2026 com meio século de existência e uma trajetória que não se separa do Polo Industrial de Manaus (PIM). Fundada em 1976, durante a fase de expansão acelerada da Zona Franca de Manaus, a entidade atuou desde o início como principal interlocutora do setor de duas rodas junto aos governos federal e estadual, defendendo incentivos fiscais e políticas de competitividade para as fábricas instaladas na capital amazonense.
O peso do setor no polo
O PIM reúne hoje mais de 100 mil trabalhadores em empregos diretos e registra faturamento anual de aproximadamente R$ 120 bilhões. Dentro desse complexo, o segmento de motocicletas ocupa posição central: Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki produzem na região cerca de 80% de todas as motocicletas fabricadas no Brasil. A concentração produtiva não é coincidência. Os benefícios fiscais previstos pelo Decreto-Lei nº 288 de 1967, que instituiu a Zona Franca, tornaram Manaus economicamente mais competitiva do que outras regiões do país para esse tipo de indústria intensiva em componentes importados.
A Emenda Constitucional nº 83 de 2014 prorrogou os incentivos até 2073, mas o tema volta à superfície toda vez que o Congresso debate reforma tributária. A Abraciclo esteve presente em cada uma dessas disputas legislativas, o que coloca o jubileu em perspectiva além do calendário institucional.
Demanda crescente e novos produtos
O aniversário coincide com um ciclo favorável para o mercado. A expansão das plataformas de entrega por aplicativo elevou a demanda por motocicletas nos últimos anos, sustentando a produção nas linhas do PIM. Ao mesmo tempo, os primeiros modelos de motos elétricas já começam a sair de fábricas instaladas na própria Zona Franca, sinalizando uma transição que o polo precisa absorver para não perder relevância frente à concorrência asiática, em especial de fabricantes chineiros com escala e custo menores.
A eletrificação da frota coloca uma pressão específica sobre o modelo regulatório atual. Os benefícios fiscais foram desenhados para uma indústria de combustão. Adequá-los à nova realidade exige negociação, e a Abraciclo tende a ser o canal central desse processo junto ao governo.
Cinquenta anos como dado, não como celebração
A longevidade da entidade reflete a estabilidade do modelo industrial amazonense, mas também a dependência estrutural do setor em relação a um arcabouço de incentivos que precisa ser renovado politicamente a cada ciclo. O PIM não se sustenta apenas por eficiência produtiva, mas por uma equação fiscal que a Abraciclo ajudou a construir e que agora precisa adaptar a um mercado em eletrificação. Em 2025, o Brasil produziu mais de 1,5 milhão de motocicletas, segundo dados da própria associação, a maior parte delas saída das linhas de Manaus.

