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O petróleo voltou a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez em mais de três anos e meio, impulsionado pela escalada da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. Nesta segunda-feira, o petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, ficando próximo de US$ 120 pelo barril diante do acirramento do conflito e da ameaça de redução na produção.
O impacto para a indústria brasileira é direto e multidimensional. Os efeitos indiretos da alta da energia, o custo de frete, que eleva o preço final de mercadorias em todo o território, os setores industriais dependentes de energia por combustão e os insumos agrícolas determinam a dimensão estrutural do problema para as cadeias produtivas.
O canal mais imediato de transmissão é o diesel, combustível essencial para transporte, logística e operação de máquinas pesadas. Para o ex-presidente da Petrobras Jean Paul Prates, a elevação do preço internacional aumenta o custo de reposição, o que pode gerar defasagens e pressionar reajustes internos, encarecendo diesel, frete e alimentos, além de pressionar a inflação.
No Brasil, os preços da gasolina e do diesel registraram apenas pequenas variações nos últimos dias — a gasolina subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30 e o diesel passou de R$ 6,03 para R$ 6,08 entre a última semana de fevereiro e o dia 7 de março.
Especialistas, porém, alertam que essa estabilidade tem prazo. Caso o barril permaneça acima de US$ 100 por período prolongado, a tendência é que reajustes se tornem inevitáveis, com potencial de pressionar toda a cadeia produtiva industrial.

