Alugreen investe R$ 105 milhões na implantação de fábrica de reciclagem de alumínio em Linhares, com expansão prevista até 2027

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O investimento em uma nova fábrica de reciclagem de alumínio em Linhares representa um desafio de engenharia crucial: transformar um volume significativo de sucata em produto industrializado sem depender do envio para outros estados. Na prática, isso significa que parte considerável da sucata de alumínio gerada no Espírito Santo, antes transferida para processamento externo, passará a ser beneficiada localmente. A unidade começa com 3 mil metros quadrados de área construída, com potencial de expansão para 10 mil metros quadrados em três etapas, previstas para dois anos, e consumo inicial de 1.800 toneladas de sucata no primeiro ano.O Espírito Santo enfrenta um desbalanceamento recorrente: grande parte da sucata de alumínio é enviada a outras regiões para beneficiamento, retornando como produto de maior valor agregado. Esse processo gera custos logísticos elevados e reduz oportunidades econômicas locais. A escolha da Alugreen de instalar a fábrica em Linhares, aproveitando a logística do distrito industrial de Bebedouro e a disponibilidade de sucata do estado e do Nordeste, responde diretamente ao gargalo do ciclo de produção e à necessidade de industrialização local.A implantação da unidade foi planejada para três fases distintas. A primeira, já em curso, absorveu R$ 45 milhões e concentra as obras nas fundações e estrutura inicial. A segunda e terceira fases devem absorver mais R$ 60 milhões, incluindo a instalação de novos fornos e ampliação da área construída. Em julho, a fábrica inicia operações com capacidade projetada para 1.500 toneladas por ano. Com a nova linha de fornos até 2027, a produção pode alcançar 3.000 toneladas anuais e atender demandas industriais crescentes.A escolha de operar exclusivamente com alumínio reciclado, vindo de fontes capixabas e do Nordeste, impacta diretamente o desenvolvimento de uma cadeia de valor regionalizada. Inicialmente focada no deoxante de alumínio—insumo chave para desoxidação do aço—, a planta avançará para produção de ligas de alumínio. Esses produtos atendem indústrias que variam de automotiva a esquadrias, luminárias e bicicletas. A estimativa é de 50 empregos diretos nesta fase inicial, com possibilidade de gerar até 150 empregos em três anos. Indiretamente, a movimentação pode criar outras 500 oportunidades de trabalho em toda a cadeia.O maior diferencial técnico está no consumo energético: reciclar alumínio exige apenas cerca de 5% da energia usada na produção a partir da bauxita, reduzindo custos e emissões. O modelo elimina parte significativa dos custos logísticos com o envio de material para fora do estado. Em contrapartida, a interdependência com o mercado regional para suprimento de sucata pode ser limitante e demanda sólida estrutura de coleta. O projeto reforça Linhares como polo emergente da indústria circular e antecipa um potencial de atração de novas empresas, consolidando um salto estrutural na agregação de valor ao alumínio no Espírito Santo.

Caio
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Caio é empreendedor e fundador do Galpão das Máquinas, a maior plataforma online de compra, venda e divulgação de equipamentos industriais no Brasil. Com mais de 20 de experiência prática no setor de máquinas e equipamentos, atua diariamente acompanhando fabricantes, importadores e revendedores.

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