Nova fábrica de celulose da Bracell em Bataguassu acelera obras e traz mudanças estruturais para região com investimento bilionário

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O início da instalação de uma fábrica de celulose de grande porte mudou o ritmo econômico de Bataguassu e região, respondendo a uma demanda crescente por fibras industriais e pela expansão do setor florestal no país. A estrutura planejada para operar com sistema de cogeração elétrica a partir de biomassa estabelece um novo padrão de eficiência energética e altera o cenário produtivo regional.

Esse avanço é relevante, pois amplia a produção nacional de celulose e fortalece a cadeia produtiva de base florestal, colaborando diretamente com o reconhecimento do Mato Grosso do Sul como um dos maiores polos do segmento. Na prática, a operação deverá consumir 12 milhões de metros cúbicos de eucalipto anuais, afetando desde o cultivo florestal até a rede de transportes e fornecimento energético local.

A necessidade de sustentar a produção de 2,8 milhões de toneladas de celulose por ano trouxe desafios operacionais. Um dos principais problemas é o volume de trabalho exigido para a construção e futura operação: as obras mobilizam até 10 mil trabalhadores, e o funcionamento pleno da planta exige uma equipe fixa estimada em 3 mil profissionais. Isso provoca pressões sobre a disponibilidade de mão de obra, levando empresas a buscarem funcionários além dos limites municipais e até estaduais.

O município enfrenta impacto no setor imobiliário, com alta demanda por moradia e serviços. Os novos residentes pressionam a infraestrutura, enquanto segmentos como restaurantes, hotéis e lavanderias se expandem para atender ao fluxo ampliado de pessoas. O padrão já foi registrado em cidades com fábricas similares, como Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo: há períodos em que a quantidade de vagas supera o número de moradores disponíveis.

Uma resposta central da engenharia do projeto foi estruturar a instalação com foco em autossuficiência energética, utilizando subprodutos como lignina e biomassa para alimentar a geração de eletricidade. Inicialmente, a unidade exige até 66 MW de fornecimento externo, mas com o funcionamento estabilizado gera entre 409 MW e 420 MW, com capacidade de exportar 150 a 200 MW excedentes à rede nacional – suficientes para abastecer aproximadamente 750 mil residências.

Isso exige coordenação com o Operador Nacional do Sistema para garantir energia até a entrada em operação, assim como ampliação da rede de transmissão para distribuir o excedente. O Estado negocia novos leilões de concessão e reforça a integração, enquanto a empresa mantém orientação para zerar o uso de combustíveis fósseis no processo produtivo.

O complexo será equipado com a maior caldeira de recuperação em operação globalmente, com capacidade para queimar 13 mil toneladas de sólidos secos diariamente e produzir 2 mil toneladas de vapor por hora. A estrutura contempla chaminé de 144 m, subestação elétrica de 440 kV e 68 km de tubulações para captação e uso de água do Rio Tietê. O consumo médio de água será de 18 m³ por tonelada de celulose, mas o reuso e tratamento permitem reduzir o consumo líquido a 0,3 m³, além de possibilitar a recuperação de 97% dos insumos químicos.

Os investimentos logísticos incluem R$ 400 milhões em estrutura portuária e renovação da frota, com introdução de caminhões elétricos movidos pela própria energia gerada na fábrica, resultando em redução anual de 132 mil kg de CO₂ nas emissões ligadas ao transporte.

O avanço do setor no Mato Grosso do Sul ampliou sua participação para 24% da produção nacional de celulose e levou o Estado a se tornar líder em área plantada de eucalipto para papel e celulose. O processo é marcado por aumento da urbanização, fluxo migratório e desenvolvimento de infraestrutura urbana e de serviços em cidades diretamente afetadas pelos projetos industriais.

O modelo de integração entre floresta, energia, logística e exportação reposiciona a economia regional e transforma o Centro-Oeste num corredor industrial estratégico para o mapa industrial brasileiro. O legado é a capacidade de articular crescimento produtivo com soluções energéticas renováveis, promovendo um padrão de desenvolvimento com menor dependência de combustíveis fósseis e maior eficiência de recursos.

Caio
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Caio é empreendedor e fundador do Galpão das Máquinas, a maior plataforma online de compra, venda e divulgação de equipamentos industriais no Brasil. Com mais de 20 de experiência prática no setor de máquinas e equipamentos, atua diariamente acompanhando fabricantes, importadores e revendedores.

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