A indústria brasileira de máquinas e equipamentos exerce um efeito multiplicador raro na economia. Segundo o anuário da ABIMAQ, cada R$ 1,00 de demanda adicional pelo setor gera R$ 3,30 em produção no país. Em um mercado que gira próximo de R$ 270 bilhões por ano em máquinas e equipamentos, o impacto total salta para R$ 894 bilhões movimentados na economia brasileira.
Esse efeito não se limita ao faturamento das indústrias do setor.
Ele transborda para toda a cadeia produtiva — siderurgia, logística, autopeças, energia, serviços técnicos, fabricantes de componentes, manutenção e tecnologia.
A estimativa da ABIMAQ aponta que essa engrenagem é capaz de absorver quase 5 milhões de trabalhadores ao longo da cadeia, somando empregos diretos, indiretos e induzidos.
O núcleo do setor, formado por mais de 8.900 empresas, emprega diretamente cerca de 399 mil trabalhadores, mas seu poder multiplicador eleva esse número a um patamar dez vezes maior quando consideradas as atividades conectadas às máquinas e equipamentos.
Na prática, cada posto de trabalho criado no setor de máquinas ativa vagas em fornecedores, transportadoras, metalurgia, armazenagem, software e serviços industriais.
O peso estratégico do segmento também se expressa no PIB industrial. Em 2024, a indústria de transformação movimentou R$ 1,5 trilhão, e o setor de máquinas e equipamentos respondeu por 17% desse total, reforçando sua posição como um dos pilares da atividade produtiva nacional.
O PIB geral brasileiro somou R$ 11,7 trilhões no período, o que significa que quase 8% de toda a economia é influenciada direta ou indiretamente pela demanda por máquinas.
Além do impacto interno, o setor também alimenta o comércio exterior. Em 2024, a corrente comercial de máquinas e equipamentos alcançou USD 42,6 bilhões, resultado da combinação de USD 13 bilhões em exportações e de um crescimento de 11% nas importações, que chegaram ao maior volume da série histórica.
Mesmo com déficit comercial, o movimento mostra um mercado aquecido e uma necessidade crescente de capacidade produtiva.
Com um multiplicador econômico de 3,3 vezes, impacto próximo a R$ 1 trilhão e influência sobre milhões de postos de trabalho, o setor de máquinas se consolida como o motor invisível da indústria brasileira — aquele que determina o ritmo da produção em praticamente todos os demais segmentos.
Se a demanda continuar em expansão, o efeito em cascata pode impulsionar investimentos, modernização e novos ciclos de crescimento industrial nos próximos anos.

