O vice-presidente Geraldo Alckmin usou a expressão “manicômio tributário” para descrever o sistema fiscal brasileiro em declaração pública registrada em 20 de junho de 2026, no contexto das discussões sobre a Reforma Tributária ainda em fase de regulamentação. A fala não é apenas retórica: o Brasil opera com mais de 90 tributos incidindo sobre a cadeia produtiva, e estudos da CNI e da Fiesp apontam que essa complexidade pode adicionar até 34% ao preço final de produtos industrializados, corroendo a competitividade das exportações frente a China, México e países do Sudeste Asiático.
O que a declaração sinaliza para a indústria
Para o setor produtivo, o peso do que o vice-presidente disse está menos na escolha das palavras e mais no que ela representa: um reconhecimento explícito do governo federal de que a burocracia tributária é um entrave estrutural à balança comercial da indústria de transformação. Segmentos de maior valor agregado, como máquinas e equipamentos, produtos químicos e bens de capital, são os mais afetados, pois competem diretamente com países que oferecem regimes fiscais simplificados e custos de exportação menores.
A complexidade do sistema encarece o processo de exportação e desincentiva multinacionais a instalar plantas industriais no Brasil. Com frequência, essas empresas optam por países vizinhos onde a carga burocrática é menor e a previsibilidade tributária, maior. Esse custo sistêmico, conhecido como “custo Brasil”, não aparece em uma única alíquota, mas se acumula ao longo de toda a cadeia produtiva.
Reforma tributária e as demandas do setor
A Reforma Tributária foi aprovada em etapas desde 2023 e prevê a criação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), instrumentos que, em tese, deveriam simplificar o sistema e garantir a desoneração das exportações. A demanda por aceleração na implementação dessas medidas é histórica entre entidades como CNI, Abimaq e AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), que monitoram de perto os efeitos práticos da reforma sobre o investimento estrangeiro direto e os fluxos comerciais.
O posicionamento de Alckmin reforça essa pressão. Mas o calendário de implementação da reforma segue sendo um ponto de tensão: a transição para o novo modelo tributário se estende até 2033, e os mecanismos de desoneração das exportações ainda dependem de regulamentação específica para produzir efeitos concretos sobre a competitividade industrial.
Os números da CNI e da Fiesp sobre o custo adicional de 34% no preço final dos produtos industrializados permanecem como referência central do debate, e é sobre essa realidade que a declaração do vice-presidente incide.

