O setor de reciclagem de plástico atingiu um marco relevante em 2024: o Brasil já soma 2,43 milhões de toneladas de capacidade instalada, segundo o Perfil 2025 da Abiplast. Esse número representa um avanço significativo em relação aos anos anteriores e mostra que o país começa a estruturar uma base industrial capaz de absorver resíduos pós-consumo em escala cada vez maior.
Apesar da capacidade total, o volume efetivamente processado ainda está em 1,55 milhão de toneladas de resíduos pós-consumo — o que significa que 35% da capacidade nacional ainda não é utilizada.
O relatório indica que o gargalo não é industrial, mas logístico: falta coleta eficiente, padronização e disponibilidade de material limpo para abastecer as recicladoras.
Em produção final, o país gerou 1,012 milhão de toneladas de resinas recicladas em 2024, um indicador que reforça o crescimento do mercado. PET, PP e PEAD permanecem como as resinas mais valorizadas, movimentando cadeias que vão de cooperativas de triagem até grandes fabricantes de embalagens.
Regionalmente, o Sudeste lidera com folga, concentrando mais de 45% da capacidade instalada, seguido pelo Sul, que apresenta forte presença de recicladores de PE e PP. Já o Nordeste cresce em velocidade superior à média nacional, impulsionado por programas municipais de coleta seletiva e novas plantas industriais.
Outro ponto relevante é o aumento da demanda por certificações e rastreabilidade. A exigência por conteúdo reciclado nas embalagens — especialmente de setores como cosméticos, alimentos e bebidas — já começa a puxar investimentos em tecnologias de lavagem, separação ótica e controle de contaminação.
Mesmo com espaço para expansão, o relatório deixa claro: o Brasil vive um momento de inflexão. A combinação entre pressão ambiental, novas leis estaduais e incentivos a projetos de circularidade aponta para uma década de crescimento contínuo na reciclagem.

