A história da Nucor, hoje uma das maiores produtoras de aço dos Estados Unidos, começou de forma improvável. Nos anos 1960, a empresa era um pequeno fabricante lutando para sobreviver. Enquanto gigantes como U.S. Steel e Bethlehem Steel — dois dos nomes mais tradicionais do setor metalúrgico norte-americano — dominavam o mercado com estruturas pesadas e milhares de gerentes, a Nucor acumulava prejuízos e parecia destinada ao fracasso.
Esse cenário começou a mudar com a entrada de Ken Iverson, engenheiro metalúrgico conhecido por seu estilo discreto e pouco convencional. Ao assumir o comando, Iverson enxergou uma oportunidade que seus concorrentes ignoravam: a transição das grandes siderúrgicas tradicionais para um modelo industrial mais enxuto, baseado em mini usinas.
Essas mini usinas utilizavam sucata metálica no lugar do minério de ferro, reduzindo custos, acelerando processos e permitindo que novas unidades fossem instaladas mais perto dos centros consumidores.
Enquanto outras empresas ridicularizavam a ideia, a Nucor apostou todas as fichas nessa mudança estrutural — e isso reescreveu sua trajetória.
O ponto decisivo, porém, não foi apenas tecnológico. Iverson acreditava que a verdadeira vantagem competitiva estava nas pessoas.
Ele eliminou camadas de gestão, reduziu a sede corporativa a cerca de 70 funcionários e cortou regalias executivas. A mensagem era simples: cada dólar deveria retornar à operação e aos trabalhadores.
O programa de incentivos também quebrou paradigmas. O salário dos operadores era diretamente ligado ao volume produzido, permitindo que um operador de alto desempenho ganhasse mais do que um gerente.
Em vez de burocracia, a empresa estimulava autonomia: se uma máquina quebrava, os próprios times resolviam o problema imediatamente, sem aguardar autorizações.
Com essa cultura industrial baseada em responsabilidade, simplicidade e meritocracia operacional, a Nucor cresceu de forma contínua por décadas — e consolidou um dos casos mais emblemáticos de gestão na indústria pesada.
Enquanto muitos rivais enfrentaram crises, a Nucor manteve um ambiente de estabilidade e, ao longo de 60 anos, tornou-se reconhecida por não realizar demissões em períodos de recessão.
O legado de Ken Iverson mostra que inovação também é feita de organização, confiança e incentivo à ponta produtiva. Em um setor tradicional como o aço, a Nucor provou que apostar em pessoas pode ser tão transformador quanto investir em tecnologia.

