A Zona de Processamento de Exportações do Ceará registrou, em novembro de 2025, R$ 571 bilhões em intenções de investimentos, posicionando o município de Pecém como um dos principais destinos de capital industrial do país. O volume contempla projetos nas áreas de siderurgia, petroquímica, energia renovável, hidrogênio verde e infraestrutura portuária, e reforça uma mudança na geografia industrial brasileira, historicamente concentrada no eixo São Paulo-Rio de Janeiro.
Infraestrutura existente como ancoragem
A ZPE Ceará opera integrada ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP), que já abriga a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), controlada pelo grupo ArcelorMittal. Essa presença confere ao território uma base logística e energética que diferencia Pecém de outros polos em formação no Nordeste. O acesso direto ao porto facilita exportações e reduz custos de escoamento, dois fatores determinantes para atrair projetos industriais de grande porte.
O regime fiscal especial das ZPEs, que prevê isenções e benefícios tributários para empresas voltadas à exportação, é outro elemento que torna o modelo competitivo frente a parques industriais tradicionais. A combinação de incentivos fiscais com disponibilidade de energia renovável a custos menores que a média nacional tem pesado nas decisões de investidores nacionais e estrangeiros.
Hidrogênio verde como diferencial de atração
O Ceará é um dos estados mais avançados do Brasil em projetos de produção e exportação de hidrogênio verde, e esse posicionamento tem atraído atenção de grupos industriais europeus e asiáticos que buscam fornecedores alinhados à transição energética de baixo carbono. A ZPE Pecém aparece nesse contexto como um ponto de convergência entre disponibilidade de ventos e radiação solar, infraestrutura portuária e marco regulatório favorável.
Parte dos R$ 571 bilhões registrados corresponde a cartas de intenção e memorandos firmados com investidores, ainda sem compromisso jurídico definitivo. A conversão dessas intenções em projetos efetivos depende de variáveis como aprovação de financiamentos, definição de marcos regulatórios para o hidrogênio verde no Brasil e evolução das taxas de juros, que encarecem projetos de capital intensivo.
Descentralização industrial em curso
O volume anunciado em Pecém se insere numa tendência mais ampla de redistribuição dos investimentos produtivos no Brasil. Estados do Nordeste têm avançado na disputa por projetos que antes gravitavam exclusivamente em torno de São Paulo e Minas Gerais. O Ceará, em particular, combina custo de mão de obra menor, incentivos estaduais e localização geográfica estratégica para acesso ao mercado europeu via Atlântico.
A CSP, instalada no CIPP, produziu 3,4 milhões de toneladas de placas de aço em 2023, parte expressiva destinada à exportação, o que já demonstra a capacidade operacional do complexo de sustentar projetos de escala global.

