O governo federal e o Banco do Brasil fecharam o financiamento de R$ 2,5 bilhões para a construção do Túnel Submerso Santos-Guarujá, obra que vai ligar os dois municípios da Baixada Santista por um percurso de 1,5 quilômetro sob o estuário. A travessia atual, feita por balsas ou rotas alternativas, pode consumir até uma hora em horários de pico. Com o túnel, esse tempo cai para dois minutos. A obra deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos durante a execução.
O que muda para a logística industrial
O Porto de Santos é o maior da América Latina e principal saída para a produção industrial brasileira, incluindo veículos, insumos, manufaturados e commodities agroindustriais. O gargalo na travessia entre Santos e Guarujá penaliza toda a cadeia logística que depende do complexo portuário, desde transportadoras até indústrias do interior paulista que exportam pelo porto. Para o polo industrial de Campinas, um dos mais densos do país em setores como metal-mecânico, químico e de alimentos, a melhora na conexão com Santos reduz custo operacional e tempo de escoamento da produção.
O túnel terá seis faixas de tráfego e infraestrutura integrada para o VLT, o Veículo Leve sobre Trilhos, o que transforma o projeto em uma solução multimodal. Cargas e passageiros passarão a compartilhar uma mesma estrutura de acesso ao porto, algo inédito na região.
Financiamento público como alavanca
O aporte do Banco do Brasil segue uma tendência de bancos públicos federais retomarem protagonismo no financiamento de infraestrutura. Nos últimos anos, projetos represados por falta de crédito ou indefinição regulatória voltaram à pauta com garantias de instituições como BB, BNDES e Caixa Econômica Federal. No caso do túnel, a estrutura de financiamento já está definida, o que reduz o risco de paralisação que historicamente afeta grandes obras públicas no Brasil.
O impacto sobre a competitividade das indústrias do interior paulista é direto. Empresas de Campinas, Sorocaba, São José dos Campos e Piracicaba utilizam o Porto de Santos como principal ponto de exportação. Qualquer redução no tempo e custo de acesso ao porto se traduz em margem operacional, especialmente para setores que competem em preço no mercado externo, como autopeças, máquinas agrícolas e produtos químicos.
A estrutura de 1,5 km será construída de forma submersa, método que evita interferências no tráfego marítimo do estuário durante as obras e reduz o impacto sobre a operação portuária em andamento. A previsão de 9 mil postos de trabalho abrange tanto a fase de construção quanto as atividades de operação e manutenção após a conclusão do empreendimento.

