A Stellantis confirmou a criação de 2.000 postos de trabalho direto no Brasil até o fim de 2026, concentrados em Minas Gerais e Rio de Janeiro. A montadora, que reúne 14 marcas sob um mesmo grupo, incluindo Fiat, Jeep, Peugeot e Ram, projeta que o movimento gere até 20.000 empregos indiretos ao longo da cadeia de fornecedores, logística e distribuidores. O anúncio chega em um momento em que o setor automotivo nacional convive com a entrada acelerada de montadoras chinesas, como BYD e CAOA Chery, e reforça a aposta da empresa no mercado brasileiro.
Produção concentrada em Betim, com operações em Manaus e Goiana
A principal planta da Stellantis no Brasil fica em Betim (MG), uma das maiores fábricas de automóveis da América Latina. Ali são produzidos modelos como o Fiat Strada, líder de vendas no país por vários anos consecutivos. A companhia também opera no Polo Industrial de Manaus e em Goiana (PE), onde fabrica veículos da marca Jeep. A expansão das vagas deve acompanhar o aumento de capacidade produtiva nessas unidades, embora a empresa não tenha detalhado a distribuição exata dos novos postos entre as plantas.
O crescimento se encaixa no programa Mover, iniciativa federal voltada à eletrificação da frota e à inovação tecnológica no setor automotivo, ao qual a Stellantis aderiu com compromissos formais de investimento. A adesão ao programa vincula parte dos benefícios fiscais a metas de desenvolvimento tecnológico e produção local.
Mercado aquecido sustenta a decisão de expansão
O Brasil fechou 2024 com recordes de emplacamentos e manteve crescimento em 2025, o que sustenta a lógica de ampliar capacidade produtiva local. A demanda interna robusta, combinada com a possibilidade de exportação para mercados vizinhos na América Latina, pesa na decisão de uma montadora global de manter e expandir operações no país, em vez de suprir o mercado brasileiro com importações.
A Stellantis foi formada em janeiro de 2021, com a fusão entre o Grupo PSA, dono das marcas Peugeot, Citroën e Opel, e a Fiat Chrysler Automobiles. No Brasil, o grupo herdou uma estrutura industrial já consolidada pela Fiat, presente em Betim desde os anos 1970. A criação das 2.000 vagas diretas representa uma das maiores movimentações de contratação no setor automotivo nacional nos últimos anos, segundo os dados disponíveis até o momento.

