O setor automotivo segue entre os principais consumidores de transformados plásticos no Brasil, segundo o Perfil 2025 da Abiplast. A cadeia de veículos leves, caminhões, ônibus e máquinas agrícolas representa 7,9% do consumo total de plástico no país, um número que pode parecer pequeno à primeira vista, mas que esconde uma dependência estrutural enorme do material.
A razão é simples: o plástico ocupa praticamente todos os cantos de um veículo moderno.
Do painel às caixas de roda, das grades aos para-choques, das peças internas às soluções acústicas, o setor utiliza polímeros para reduzir peso, aumentar durabilidade, melhorar segurança e cortar emissões.
Quanto mais exigente o mercado fica, maior o uso de componentes plásticos.
Segundo o relatório, polipropileno (PP), polietileno (PEAD), ABS, PU e PVC são as resinas mais presentes na indústria automotiva.
O PP sozinho responde por uma parte significativa das peças internas e externas, graças à leveza, resistência ao impacto e facilidade de moldagem em geometrias complexas.
Em alguns modelos, mais de 150 peças são feitas exclusivamente desse polímero.
O uso do plástico também está ligado ao esforço global de reduzir emissões. Cada 10% de redução de peso no veículo pode gerar economia de combustível entre 3% e 5%, um impacto direto tanto para os fabricantes quanto para consumidores.
Isso explica a substituição crescente de peças metálicas por peças plásticas reforçadas — mais leves e mais eficientes.
Outro movimento importante é a chegada dos veículos elétricos. Eles exigem novos materiais com resistência térmica, elétrica e mecânica superior, abrindo espaço para polímeros de engenharia e compostos especiais.
Isso deve elevar o consumo de plásticos avançados nos próximos anos.
O setor automotivo não apenas consome bastante plástico: ele determina tendências, exige qualidade extrema e empurra toda a cadeia por inovação.
É um dos segmentos que mais molda o futuro dos transformados plásticos no Brasil.

