A reciclagem de plástico pós-consumo deu um salto expressivo em 2024. De acordo com a Abiplast, as recicladoras brasileiras processaram 1,55 milhão de toneladas de resíduos, volume 12% maior que o registrado no ciclo anterior. Esse avanço tem impacto direto na oferta de resina reciclada para embalagens, peças industriais e aplicações de alto giro.
O relatório mostra que a maior parte dos resíduos reciclados é composta por PEAD, PP e PET — juntos, eles representam aproximadamente 68% do total processado.
O PET segue como destaque absoluto em pureza e valor de mercado, enquanto o PP cresce como opção competitiva para itens de consumo e componentes técnicos.
Apesar dos avanços, o país ainda poderia processar bem mais. A capacidade instalada total é de 2,43 milhões de toneladas, o que significa que cerca de 900 mil toneladas de capacidade ociosa permanecem sem uso por falta de matéria-prima adequada.
O gargalo está na coleta, especialmente em grandes centros urbanos onde o descarte ainda é pouco padronizado.
O relatório também revela mudanças importantes no emprego do setor: 16,7 mil pessoas trabalham diretamente na reciclagem mecânica, com forte expansão em empresas que adotaram linhas automatizadas de lavagem e extrusão.
Estados como São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul lideram em produtividade e qualidade do material reciclado.
Com a pressão de grandes marcas para cumprir metas de conteúdo reciclado, a tendência é de expansão contínua.
A expectativa é que, até 2026, o uso de resíduos pós-consumo cresça mais 36%, acompanhando a demanda da indústria por materiais de menor impacto ambiental.

