O setor de eletrodomésticos e eletroeletrônicos do Brasil atingiu 54 mil toneladas no consumo de resina plástica reciclada pós-consumo (PCR), segundo levantamento divulgado pelo Movimento Plástico Transforma em parceria com a Abiplast em julho de 2026. O número, inédito para o segmento, revela uma mudança concreta no processo produtivo de fabricantes que antes usavam exclusivamente resinas virgens e agora incorporam material reciclado em componentes estruturais e de acabamento sem abrir mão dos padrões técnicos exigidos pelo mercado.
O que esse dado significa para quem fabrica máquinas
A transição para o plástico reciclado não é apenas uma questão de insumo. Ela exige que os fornecedores de maquinário industrial, como injetoras, extrusoras, termoformadoras e prensas, adaptem seus equipamentos para processar resinas PCR com eficiência. Resinas recicladas pós-consumo apresentam variações de viscosidade, contaminação residual e comportamento térmico distintos das resinas virgens, o que impõe desafios reais de engenharia para quem projeta e fabrica novos equipamentos.
Grandes fabricantes com operações no Brasil, como Samsung, LG, Electrolux, Whirlpool e Intelbras, assumiram metas voluntárias de economia circular que pressionam toda a cadeia de fornecimento. Isso inclui os fabricantes de maquinário que atendem esses grupos. A demanda por equipamentos capazes de processar PCR com estabilidade e repetibilidade já é uma realidade no mercado, não uma tendência futura.
Pólos industriais no centro da transformação
O Brasil concentra sua produção eletroeletrônica em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Amazonas, onde opera a Zona Franca de Manaus. A abrangência geográfica desse parque industrial amplifica o efeito da mudança: fabricantes de máquinas localizados nessas regiões ou que atendem clientes nelas precisam incorporar a capacidade de processar PCR ao seu portfólio de soluções.
O Movimento Plástico Transforma articula empresas ao longo de toda a cadeia do plástico, da produção de resinas à reciclagem e ao consumo final. O levantamento que originou o dado das 54 mil toneladas é apontado pela própria entidade como um piso: parte das empresas ainda não reporta sistematicamente seus volumes de consumo de material reciclado, o que sugere que o número real pode ser superior.
Para o segmento de fabricação de novas máquinas, o cenário abre espaço para desenvolvimento de soluções específicas para processamento de PCR, com sistemas de controle de temperatura mais precisos, grupos de plastificação adaptados e automação voltada à compensação das variações inerentes ao material reciclado. A Abiplast representa fabricantes de artefatos e resinas plásticas em todo o país e deve divulgar dados complementares ao longo do segundo semestre de 2026.

