PepsiCo afrouxa metas ambientais e adia plano de redução de plástico para 2050

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A PepsiCo anunciou a revisão de suas metas ambientais globais e decidiu adiar de 2040 para 2050 o compromisso de zerar suas emissões líquidas de carbono, além de enfraquecer objetivos relacionados ao uso de plástico e embalagens reutilizáveis. A mudança, revelada pela companhia em entrevista concedida ao portal Newsweek, ao justificar desafios regulatórios e ausência de infraestrutura de reciclagem no mundo, levanta preocupação sobre o ritmo do setor industrial na transição para modelos mais sustentáveis — especialmente em um momento de crescente pressão global por políticas ambientais mais firmes.

a PepsiCo comunicou que revisou e enfraqueceu parte de suas metas ambientais: a empresa adiou de 2040 para 2050 o prazo para alcançar emissões líquidas zero e reduziu ambições relacionadas à diminuição de plásticos e embalagens reutilizáveis. A decisão levantou questionamentos sobre seu compromisso com sustentabilidade.

A PepsiCo justificou a mudança afirmando que o contexto mundial mudou desde a definição de metas — muitas promessas de financiamento, legislação e adoção de economia circular não se concretizaram. Segundo seu Chief Sustainability Officer, as “forças contrárias” (como lentidão regulatória e falta de infraestrutura de reciclagem) tornaram inviável manter os prazos originais.

Apesar da postergação, a empresa afirma que algumas metas tornaram-se mais ambiciosas: todas as suas metas de emissão agora estariam alinhadas ao limitador de aquecimento global de 1,5 °C do Acordo de Paris.

Ainda assim, para reduzir o uso de plástico virgem e aumentar conteúdo reciclado, a companhia recuou: eliminou o objetivo de 20% das bebidas em embalagens reutilizáveis até 2030 e alterou a meta de conteúdo reciclado de 50% até 2030 para “40% ou mais” até 2035.

No Brasil — e em mercados estratégicos — a empresa disse que continuará investindo em iniciativas de agricultura sustentável como parte de sua estratégia ESG, mas ressaltou que os avanços dependem de mudanças estruturais no sistema global: logística, cadeia de suprimentos, reciclagem e regulamentação.

A alteração das metas da PepsiCo acende um alerta para a indústria: demonstra que a transição para um modelo sustentável pode enfrentar recuos perante a pressão de custos, falta de apoio regulatório e infraestrutura insuficiente.

Isso reforça a necessidade de maior cooperação setorial e políticas públicas para viabilizar metas de longo prazo.

Marcos Almeidahttps://galpaodasmaquinas.com.br/noticias
Marcos Almeida é jornalista especializado no setor industrial, com foco em expansão fabril, investimentos produtivos e tecnologia para manufatura. Há mais de dez anos acompanha de perto os movimentos das indústrias brasileira e internacional, cobrindo anúncios de novas plantas, modernização de fábricas, lançamentos tecnológicos e indicadores econômicos que impactam o setor

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