O governo federal anunciou um aporte de R$ 70 bilhões para 2026 dentro do programa Nova Indústria Brasil, o maior pacote de estímulo industrial desde o lançamento da iniciativa, em 2024. A indústria de transformação brasileira encolheu de 36% do PIB em 1985 para 10,8% em 2024, e o programa tenta reverter essa trajetória por meio de crédito subsidiado, desoneração fiscal e apoio à inovação.
Como o dinheiro será distribuído
O Nova Indústria Brasil é coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços em parceria com o BNDES, que atua como principal braço financeiro do programa. Os recursos estão divididos em missões estratégicas que cobrem agronegócio, saúde, defesa, infraestrutura, bioeconomia e transformação digital, com linhas específicas para modernização de plantas industriais, adoção de tecnologias da Indústria 4.0 e descarbonização da produção.
Regiões com menor densidade industrial, como Norte e Nordeste, estão listadas como prioridades estratégicas. A lógica é usar os recursos para interiorizar e diversificar a base produtiva, reduzindo a concentração industrial no eixo Sul-Sudeste e diminuindo a dependência de importações em cadeias consideradas críticas para a segurança produtiva do país.
O desafio de executar o que foi prometido
O anúncio de R$ 70 bilhões é expressivo, mas a efetividade do programa depende da velocidade de desembolso e da capacidade das empresas de acessar as linhas de crédito disponíveis. Programas anteriores de estímulo industrial no Brasil enfrentaram gargalos operacionais que limitaram o alcance real dos recursos, e o BNDES terá papel central para garantir que o crédito chegue a empresas de todos os portes, não apenas às grandes corporações.
O programa Nova Indústria Brasil prevê investimentos totais de R$ 300 bilhões até 2026, segundo o MDIC, sendo os R$ 70 bilhões anunciados para este ano a maior parcela anual desde o início da iniciativa.

