No litoral do Rio de Janeiro, a cidade de Maricá acaba de concretizar uma parceria inédita que resultará na instalação da primeira fábrica de tratores chinesa no Brasil, em um investimento estimado em R$ 200 milhões. O que aconteceu foi a assinatura de um acordo entre a Prefeitura, um grupo de empresários chineses (ligados à estatal Sinomach) e organizações populares, como o MST, para a construção da unidade em Ponta Negra, com foco na agricultura familiar.
Este marco é crucial para o setor industrial e o agronegócio nacional. A iniciativa visa quebrar a histórica dependência de Maricá dos royalties do petróleo, diversificando sua economia para a indústria e agroindústria de base tecnológica.
Além disso, introduz no país uma produção voltada para maquinário de pequeno e médio porte, essenciais para modernizar os 5 milhões de agricultores familiares brasileiros.
A parceria é emblemática e está sendo chamada de Parceria Público Privada e Popular (PPPP). O projeto prevê a produção de até 2 mil máquinas por ano em modelos adaptados ao solo e às necessidades do pequeno produtor.
Isso não é apenas sobre tratores; o acordo inclui a transferência de tecnologia, capacitação técnica e o desenvolvimento de soluções sustentáveis, como bioinsumos e energias renováveis.
O investimento de R$ 200 milhões será custeado, em parte, com recursos provenientes das receitas do petróleo de Maricá. A intenção da gestão municipal é usar essa riqueza para criar uma nova cadeia produtiva robusta e tecnológica.
O objetivo é reduzir o desequilíbrio social, visto que o município, de 212 mil habitantes, tem mais beneficiários do Bolsa Família (cerca de 27 mil) do que trabalhadores formais (26 mil).
A participação de empresas chinesas, como o YTO Group (ligada à Sinomach e uma gigante global em maquinário agrícola), é um sinal da inversão de papéis no cenário mundial.
Conforme declarado pelo Secretário de Governo de Maricá, se antes os chineses buscavam modelos no parque industrial brasileiro, “agora é o Brasil que aprende com a China” no setor de industrialização rural.
Espera-se que a nova unidade fabril gere entre 200 e 250 empregos diretos e centenas de vagas indiretas, consolidando Maricá como um polo de inovação rural e de industrialização com foco social.
O projeto visa não apenas fornecer os tratores, mas também apoiar toda a cadeia de produção e processamento de alimentos, incluindo planos de investir em agroindústria e até mesmo em máquinas para cápsulas de café, sob as novas marcas Amar e Amar Brasil.
Essa parceria inédita Brasil-China para a produção de tratores no Rio de Janeiro não é apenas uma transação comercial, mas uma aposta ousada na transformação da agricultura familiar e na diversificação da matriz econômica brasileira.

