A Marfrig Global Foods, frigorífico com sede em Itajaí, Santa Catarina, registrou lucro superior a R$ 110 milhões no primeiro trimestre de 2026, acompanhado de receita líquida de R$ 39,5 bilhões. O resultado confirma a recuperação da rentabilidade em um setor que sofreu compressão de margens nos anos anteriores, pressionado pelo encarecimento do milho, da soja e da energia elétrica, insumos indispensáveis para operações frigoríficas de grande escala.
Exportações puxam o desempenho
O avanço nas exportações para Europa, Ásia e Oriente Médio foi um dos principais vetores do desempenho. A diversificação geográfica reduz a exposição da companhia a oscilações da demanda interna e à volatilidade cambial, dois fatores que historicamente penalizam frigoríficos brasileiros com foco predominante no mercado doméstico. No caso do Oriente Médio, a performance está diretamente ligada à certificação halal mantida pela Marfrig em diversas unidades produtivas, um diferencial que poucos concorrentes conseguem sustentar na mesma escala.
A retomada econômica na China e a redução dos rebanhos bovinos nos Estados Unidos também criaram uma janela favorável para exportadores brasileiros. Com oferta menor nos EUA e demanda aquecida na Ásia, o Brasil ampliou sua participação no comércio internacional de carnes, e empresas com estrutura exportadora consolidada como a Marfrig capturam essa vantagem de forma mais direta.
Efeito BRF e cadeia de proteína animal
A Marfrig é sócia majoritária da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão. Isso significa que seus resultados têm peso sobre toda a cadeia de proteína animal no Brasil, da granja ao varejo. A BRF opera uma das maiores redes de distribuição de alimentos industrializados do país, o que conecta o desempenho financeiro da Marfrig ao cotidiano de supermercados, food service e consumidores finais.
Para o setor industrial alimentício, o dado do primeiro trimestre indica que companhias com portfólio diversificado de marcas e alta capacidade exportadora conseguem absorver choques de custo com mais estabilidade do que concorrentes menores ou com menor presença internacional. A receita líquida de R$ 39,5 bilhões no trimestre coloca a Marfrig entre os maiores grupos alimentícios do hemisfério sul.

