A Mantis Robotics, empresa norte-americana especializada em robôs colaborativos, anunciou em 24 de junho de 2026 o lançamento de um robô industrial de dois braços projetado para operar sem cercas de proteção físicas. A solução elimina as gaiolas metálicas que historicamente isolam braços robóticos dos operadores no chão de fábrica, construindo a segurança diretamente na arquitetura do sistema de controle. O lançamento foi noticiado pelo The Robot Report, veículo de referência em robótica industrial.
O que diferencia esse robô dos cobots convencionais
A chamada robótica sem cercas, ou fenceless robotics, é uma das fronteiras mais exigentes da automação fabril moderna. As normas internacionais ISO 10218 e ISO/TS 15066 regulamentam os robôs colaborativos e impõem critérios rigorosos de segurança para que máquinas operem próximas a humanos sem barreiras físicas. A Mantis Robotics afirma atender a esses critérios sem recorrer ao isolamento estrutural.
Além disso, a configuração de dois braços, chamada de manipulação bimanual, vai além do que oferecem soluções consolidadas como as da Universal Robots ou o portfólio colaborativo da FANUC. Com dois membros coordenados, o robô consegue executar tarefas de montagem, embalagem, inspeção e manuseio de peças irregulares que exigem destreza próxima à humana. Robôs de braço único simplesmente não conseguem replicar esse tipo de operação com a mesma eficiência.
Por que isso interessa ao mercado brasileiro
O Brasil registra cerca de 10 robôs por 10.000 trabalhadores na indústria, número muito abaixo da média global de aproximadamente 151, segundo a Federação Internacional de Robótica. Parte dessa defasagem se explica pelos custos de infraestrutura envolvidos na implantação de células robotizadas convencionais: gaiolas de proteção, adequação de layout e obras civis encarecem projetos e inviabilizam a automação em plantas de médio porte.
Uma solução fenceless reduz essas barreiras de entrada. Sem a necessidade de isolamento físico, a instalação fica mais simples e o layout produtivo ganha flexibilidade, dois argumentos que tendem a pesar na decisão de compra de industriais brasileiros que operam em espaços limitados ou com restrições orçamentárias para reformas.
O setor global de robótica atravessa expansão acelerada, pressionado pelo movimento de reshoring, escassez de mão de obra qualificada e busca por resiliência nas cadeias produtivas. O lançamento da Mantis Robotics não está isolado: a ExRobotics acaba de lançar um robô de inspeção certificado pela UL para ambientes perigosos, e a Vention anunciou colaboração com FANUC e Universal Robots em automação definida por software, consolidando junho de 2026 como um mês de movimentação intensa no setor.

