Uma serralheria fundada em 1969 na cidade de Orleans, no Sul de Santa Catarina, tornou-se uma das maiores fabricantes de implementos rodoviários da América Latina. A Librelato S/A Implementos Rodoviários fatura hoje mais de R$ 2 bilhões por ano e ocupa a segunda posição no ranking brasileiro de exportadores do setor, com clientes na América do Sul, Europa, África e Oceania. A trajetória da empresa ilustra como a indústria metalmecânica nacional pode competir em mercados dominados historicamente por fabricantes europeus e norte-americanos.
De serralheria familiar a exportadora global
A empresa nasceu como um negócio familiar de pequeno porte e foi ampliando sua capacidade produtiva ao longo de décadas até consolidar um portfólio que inclui semirreboques, carretas graneleiras, plataformas e tanques para transporte de cargas. A expansão não se limitou ao mercado interno. A Librelato passou a atender clientes em quatro continentes, o que exigiu adequação a padrões técnicos e normativos distintos dos brasileiros, algo que poucos fabricantes nacionais de equipamentos de transporte conseguiram alcançar de forma consistente.
O Sul do Brasil concentra parte relevante da indústria de alto valor agregado do país, e a Librelato é um dos casos mais citados quando se discute internacionalização no segmento metalmecânico. A empresa investe de forma contínua em automação industrial e engenharia de produto, e atua como polo de desenvolvimento de fornecedores locais na região de Orleans e entorno.
Exportações de manufaturados além das commodities
A pauta de exportações brasileira ainda é dominada por commodities agrícolas e minerais. Nesse contexto, empresas como a Librelato representam um contrapeso relevante: exportam produtos com alto teor industrial, maior valor agregado por tonelada e capacidade de gerar empregos qualificados na origem. Implementos rodoviários não são produtos simples, exigem engenharia, certificação e suporte técnico pós-venda em mercados distantes.
Ser a segunda maior exportadora brasileira do setor coloca a Librelato em posição de referência para outras indústrias de médio porte que buscam internacionalização. O desafio para essas empresas raramente é a qualidade do produto — é a escala, o financiamento às exportações e a estrutura de distribuição no exterior. A Librelato levou décadas para construir essa estrutura a partir de Orleans, uma cidade com menos de 30 mil habitantes no interior catarinense.
Em 2023, as exportações brasileiras de implementos rodoviários cresceram, puxadas em parte pela demanda sul-americana, onde o Brasil tem vantagem logística e competitiva sobre fornecedores europeus. A Librelato figura entre as principais beneficiadas desse movimento, segundo dados do setor.

