Em novembro de 2025, o setor de reciclagem registrou um movimento histórico com a apresentação de R$ 2,2 bilhões em propostas submetidas à Lei de Incentivo à Reciclagem, reunindo iniciativas provenientes dos 26 estados brasileiros.
Foram 952 projetos enviados por empresas, cooperativas e organizações da sociedade civil, indicando uma disputa crescente por espaço na nova economia circular e evidenciando a rápida transformação de um mercado que, até pouco tempo, funcionava de forma majoritariamente informal.
O volume expressivo de propostas mostra como a reciclagem deixou de ser um segmento marginal para se tornar um eixo estratégico da indústria nacional, especialmente diante da pressão por sustentabilidade, redução de custos operacionais e cumprimento de metas ambientais exigidas pelas grandes cadeias produtivas.
A expansão do interesse empresarial também reflete uma mudança de cultura. Enquanto novos grupos apresentam projetos sofisticados, baseados em rastreabilidade de materiais, modernização de equipamentos e tecnologias de separação e beneficiamento, muitos operadores tradicionais ainda trabalham no improviso, sem gestão, sem planejamento e sem indicadores.
Esse contraste tem chamado atenção porque indica que parte do setor corre o risco de ser ultrapassada, principalmente à medida que o mercado se profissionaliza e atrai investimentos cada vez maiores.
Especialistas avaliam que o avanço da reciclagem no Brasil já se tornou inevitável.
Grandes indústrias de automóveis, embalagens, química e metalurgia ampliaram o uso de insumos reciclados para reduzir custos e melhorar a performance ambiental dos produtos, o que gera demanda por fornecedores capazes de entregar volume, qualidade e regularidade.
Além disso, metas ESG e políticas públicas setoriais têm impulsionado a valorização de empresas estruturadas, que trabalham com controle de produção, certificações e modelos escaláveis.
Nesse cenário, os projetos submetidos à Lei de Incentivo representam apenas a ponta de um movimento mais amplo que deve remodelar a cadeia de reciclagem nos próximos anos.
Com o aumento dos recursos disponíveis, a orientação do setor é clara: cooperativas e pequenas empresas precisam estruturar operações, formalizar processos, adotar indicadores e buscar tecnologias capazes de elevar a produtividade.
A tendência é que surjam novas plantas industriais dedicadas à reciclagem de plásticos, metais, papel e resíduos pós-consumo, fortalecendo a cadeia e ampliando a geração de empregos.
A expectativa para os próximos dois anos é que a reciclagem consolide seu papel como um dos motores do desenvolvimento industrial sustentável no país.

