A Confederação Nacional da Indústria divulgou em 5 de agosto de 2026 os resultados da SondEsp 105, levantamento que monitora investimentos em máquinas e equipamentos no setor industrial brasileiro, e o retrato é contraditório: as empresas compram equipamentos novos em volume relevante, mas o gasto específico com automatização e modernização de processos produtivos permanece em patamar baixo. Para siderúrgicas e metalúrgicas, que dependem da renovação tecnológica para competir em preço e eficiência, o dado é preocupante.
Reposição sem salto tecnológico
O padrão identificado pela CNI revela uma escolha recorrente das indústrias: trocar equipamentos desgastados por versões novas equivalentes, sem avançar para sistemas automatizados de maior complexidade. É reposição, não transformação. Projetos de automação exigem prazo de retorno mais longo e capital intensivo, dois fatores que se tornam proibitivos com a taxa Selic a 14,25% ao ano. O Copom discutia na mesma data apenas um corte modesto de 0,25 ponto percentual, insuficiente para alterar o cálculo de viabilidade de investimentos mais ousados.
O crédito caro pressiona as empresas a priorizarem o curto prazo. Numa siderúrgica, isso significa manter a linha funcionando com equipamentos funcionais, mas sem os ganhos de produtividade que só a automação robusta proporciona. A conta fecha no mês, mas não no ciclo competitivo de cinco ou dez anos.
O risco do aço importado
A vulnerabilidade fica mais clara quando se olha para a concorrência. O aço de origem asiática, especialmente o chinês, é produzido em plantas com níveis de automação e escala significativamente superiores ao padrão brasileiro. Sem ganhos estruturais de produtividade, as siderúrgicas nacionais competem com desvantagem de custo, o que pressiona margens e pode ampliar a penetração do produto importado no mercado interno.
A questão não é nova, mas a SondEsp 105 dá contornos quantitativos ao problema num momento em que o debate sobre política industrial voltou à agenda. A CNI, principal entidade representativa do setor, utiliza esse tipo de levantamento como referência para discussões com governo, bancos de desenvolvimento e formuladores de política de crédito.
A combinação de Selic elevada, aversão a projetos de longo prazo e reposição incremental de equipamentos configura um ciclo que se retroalimenta: sem automação, a produtividade não avança; sem ganhos de produtividade, as margens permanecem pressionadas; com margens apertadas, sobra menos capital para investir em automação. A SondEsp 105 é aplicada periodicamente pela CNI em empresas de diferentes portes e segmentos industriais em todo o território nacional.

